A volta dos voos de grande porte ao Aeroporto da Pampulha está cada vez mais próxima. Após a divulgação da portaria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 25 de outubro, que estabeleceu os critérios para a operação de jatos no terminal, a expectativa é a de que o aeroporto receba entre três e quatro voos por hora, seguindo o rodízio estabelecido pela Anac.

O texto prevê o limite de embarque de 300 passageiros por hora. São 11 posições de estacionamento de aeronaves em voos comerciais, sendo quatro para aeronaves de maior porte, como o Airbus 319, o Embraer 190 e o Boeing 737, segundo dados da Infraero, que administra Pampulha.

O número corrobora estimativa feita pelo piloto e coordenador do curso de engenharia aeronáutica da Fumec, Rogério Parra. Para ele, serão quatro decolagens por hora. O engenheiro explica que, em condições normais, o tempo médio entre uma decolagem e outra é de cinco minutos. Após o procedimento, a aeronave leva em torno de dois minutos para deixar a pista.
Em relação ao tempo necessário para a sucessão dos voos, Rogério entende que o que pode interferir no fluxo é a infraestrutura do aeroporto.

“O maior problema está no desembarque e embarque. Isso que demora mais. O aeroporto não tem espaço para os aviões estacionarem. O problema não está na pista, está no estacionamento”, diz.

Mensalmente, o aeroporto da Pampulha recebe, em média, 98 voos regulares, operados pela Passaredo e pela Codemig, que atende a cerca de 3.700 passageiros.

Vagas

Após o sinal verde para os voos de grande porte na Pampulha, as empresas aéreas se mobilizaram e, até o último levantamento, o número de pedidos de novos voos para o terminal era de 77.

Entretanto, a definição da quantidade voos que serão operados por cada companhia dependerá do resultado do pedido de alocação dos slots – direito de usar a estrutura do aeroporto para pousar e decolar, que será divulgado pela Anac na próxima segunda-feira. Após a alocação dos slots, as empresas vão precisar solicitar novamente a aprovação das rotas e, então, começar a operar.

Contraponto

Apesar de a volta dos jatos à Pampulha estar certa, ainda há quem se mostre contrário à mudança. É o caso de Leandro Pinheiro, diretor do Sindicato Nacional dos Empregados em Empresas Administradoras de Aeroportos (Sina).

“Entendo que o aeroporto não deveria receber nenhum voo de grande porte. Não houve nenhuma melhoria que justifique essa portaria. O aeroporto é inseguro e a pista é pequena. Todos sofrem, principalmente os moradores da região”, afirma. Na contramão do diretor do Sina, Rogério Parra entende que o terminal tem totais condições de operar essa nova demanda de voos.

“O aeroporto sempre recebeu os voos. Por que não poderia receber agora? Não falo de voos internacionais, mas dentro do país. Não há o menor problema, não é inseguro. Já operou no passado e hoje os equipamentos são muito mais modernos”, diz.


Administradora de Confins vai ao STJ para barrar concorrente

Apesar do estágio final de regulamentação do jatos no Aeroporto da Pampulha, ainda há quem vá lutar para tentar reverter a decisão do governo.

Concessionária responsável pela operação do Aeroporto Internacional de Confins, a BH Airport confirmou, por meio de nota, que impetrou na última quarta-feira um mandado de segurança com pedido de liminar perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a portaria publicada pelo Ministério dos Transportes, que liberou o Aeroporto da Pampulha para operar voos comerciais para todo o país.

A empresa afirma que anexou ao texto um detalhamento histórico, com os argumentos que levaram o governo federal a restringir as operações no terminal da Pampulha em um primeiro momento.

Outra alegação usada pela BH Airport é a de que a operação simultânea dos aeroportos causaria prejuízos ao Estado, como a perda de conectividade aérea, redução de opções de destinos e eliminação de voos internacionais partindo de Confins.

A concessionária afirma que desde agosto de 2014 já investiu aproximadamente R$ 1 bilhão em mudanças estruturais e de serviços no terminal. O investimento mais recente fez com que a capacidade do terminal passasse de 10 milhões para 22 milhões de passageiros por ano. O aeroporto conta atualmente com 44 vagas para aeronaves.

Associação de moradores

Outra entidade que também é contra a liberação dos voos de grande porte para o Aeroporto da Pampulha é a Pro-Civitas, Associação dos Moradores dos Bairros São Luís e São José, localizados próximo ao terminal.

A associação revelou que pretende acionar a Justiça para impedir a reativação do voos de grande porte na Pampulha, mas que ainda estuda quais medidas legais serão tomadas.