Responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, a agricultura familiar também está conectada às inovações tecnológicas e à otimização da produção orgânica de alimentos. De olho nesse “casamento”, o Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária lançou, nesta semana, o Programa Bioeconomia Brasil Sociobiodiversidade, que vai estimular, com linhas de crédito e investimentos estruturais e tecnológicos, produtores que preservam a biodiversidade no país.

O programa foi lançado no Green Rio, um dos maiores fóruns de sustentabilidade do país, que se encerra hoje, no Rio de Janeiro, com presença de 80 expositores e empresários. Responsável pela iniciativa, o secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Fernando Schwanke, disse que os incentivos visam impulsionar produtos da agricultura familiar, incluindo a de quilombolas e indígenas, para o mercado internacional.

“Nosso objetivo é incentivar a bioeconomia e os processos de produção regionais, assim como o açaí, que tem grande potencial na cadeia de desenvolvimento da agricultura brasileira. Os dados mostram que boa parte dos produtos que chegam à mesa dos brasileiros é oriunda de agricultores familiares. Queremos aplicar esses processos para incentivar o mercado internacional”, disse Schwanke.

A iniciativa vai trabalhar com cinco linhas principais: Pró-Extrativismo; Roteiros da Sociobiodiversidade; Potencialidades da Agrobiodiversidade Brasileira; Energias Renováveis para a Agricultura Familiar e o projeto Ervas Medicinais, Aromáticas, Condimentares, Azeites e Chás Especiais do Brasil. A ideia é a de que o projeto agregue parceiros, como o BNDES, para financiar linhas de crédito aos produtores rurais. O montante de recursos liberado para o programa não foi divulgado. 

Em Minas, onde a agricultura familiar soma 350 mil propriedades, milhares de produtores terão a oportunidade de impulsionar atividades já em desenvolvimento no Estado, com potencial de expansão. “Os agricultores familiares passam a ser olhados como um grupo forte que responde pela agricultura desse país. Em Minas, temos uma cultura riquíssima”, avalia a ex-deputada Raquel Muniz (PSD-MG), que participou do lançamento do Programa Bioeconomia, no Rio de Janeiro.

Emater

Em Paraopeba, na região Central de Minas, um grupo de agricultores familiares começou a usar recentemente drones para pulverizar inseticidas biológicos — sem veneno — em plantações de milho. Já em Almenara, no Norte de Minas, a Comunidade Quilombola Marobá dos Teixeiras preserva a tradição de produzir cacau desde 1870 e, recentemente, começou a expandir a produção de chocolate, antes restrita à própria cidade.

Por isso, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater–MG), que lida com as políticas de agricultura familiar no Estado, vê com bons olhos o Projeto Bioeconomia. 

“Percebemos que os agricultores familiares se modernizam, mas sem agredir o meio ambiente. E isso faz toda a diferença. Com mais incentivos e tecnologia, esses negócios podem crescer”, analisa Márcia Campanharo, coordenadora estadual de Povos e Comunidades Tradicionais da Emater-MG.