Empresários da construção civil começaram a respirar mais aliviados em Minas. Com alta de 2,29% na geração de empregos em julho e respondendo por mais da metade das vagas formais do Estado no mês passado, o setor foi um dos responsáveis pelo crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no segundo trimestre — evitando uma recessão técnica.

Depois de longos 20 trimestres em quedas consecutivas, o PIB da construção civil teve alta de 2% no segundo trimestre — em comparação com os três primeiros meses do ano, de acordo com o IBGE. O setor foi um dos principais atores da arrancada – ainda tímida – da economia neste trimestre, junto com a indústria, com alta de 0,7%, e os serviços, com crescimento de 0,3%. 

A marca surpreendeu empresários do setor, que esperavam um resultado proporcionalmente inverso: queda de 1,8% do PIB da construção, segundo estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

Para o economista Daniel Furletti, do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), uma série de fatores, como a Lei da Liberdade Econômica e a queda de juros contribuíram para o retorno da confiança dos investidores. A estimativa do Sinduscon-MG é que a construção siga o ritmo desse trimestre e feche o ano com alta de 1,9%.

“De 2014 a 2018, tivemos 27% de queda na construção civil. A partir de maio deste ano, houve uma melhora impulsionada pelas reformas do governo. E temos uma série de fatores que aumentaram a confiança dos investidores. E a construção é um setor que puxa muitas cadeias, como as indústrias siderúrgica, cimenteira, de cerâmica, vidros, fios, PVC etc”, avalia Furletti.

“Há uma projeção de crescimento de 1,9% do PIB até o fim do ano. É um crescimento que tem que ser valorizado. E Minas Gerais costuma acompanhar o país, se a construção civil cresce no Brasil, Minas deverá acompanhar o índice, talvez um pouco atrás, algo de 1,5% ao ano. A construção civil tem um papel importantíssimo e é o setor que fornece um retorno mais imediato para a economia, tanto por movimentar dezenas de cadeias na geração de emprego, quanto pela reação do mercado, que é muito rápida. Junto a isso, tivemos vários incentivos e ações para desburocratizar a construção, como a Lei de Distratos, o financiamento atrelado ao índice do IPCA, que vai baixar muito os juros para o consumidor final, e as reformas estruturantes. Tudo isso contribui para o setor”

Daniel Furletti
Economista do Sinduscon-MG

 

Em Minas, a construção civil atingiu a marca de 5.558 empregos em julho, 56% de todas as vagas abertas no Estado (10.609) no mesmo mês. Em nível nacional, Minas representa 31,8% dos 18.721 postos de trabalho gerados no país na construção em julho.

Apesar dos bons números, Furletti avalia que a geração de empregos do setor está longe do ideal, com déficit de 1 milhão de vagas. “Historicamente, a construção emprega 3 milhões no país e hoje está com 2,5 milhões. É preciso melhorar”, avalia o economista do Sinduscon-MG.

Ainda assim, os resultados têm aparecido de maneira animadora. Em comparação com o primeiro semestre de 2018, neste ano a MRV aumentou em 20% o número de unidades construídas. Já o Grupo EPO pretende lançar oito empreendimentos e contratar pelo menos 300 funcionários.

“Víamos uma procura por imóveis e uma baixa oferta. Havia medo do investidor em construir. Agora, com os primeiros bons sinais da economia, vai propiciar uma melhora no humor do empresário”, diz Marcelo Carvalho, gestor de vendas do Grupo EPO.

Após as boas projeções da economia divulgadas pelo IBGE, analistas consultados pelo Banco Central (BC) para a pesquisa Focus estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) terá uma alta de 0,07% neste ano, em nova maré de otimismo no mercado brasileiro. 

 

Previsão

A expectativa, divulgada ontem pelo BC, é que o PIB cresça 0,87% em 2019, ante a projeção de 0,80% da semana passada. Para 2020, a previsão de crescimento foi mantida em 2,10%. 

A previsão de crescimento da inflação também sofreu alteração, com alta de 3,57% para este ano, ante a previsão anterior de 3,61%. Para o ano que vem, a previsão é de um crescimento de 3,9% do índice.

Informalidade

Mesmo com otimismo econômico causado pela boa projeção do PIB, o mercado informal de trabalho, em contínua expansão, tem contribuído de maneira preocupante para os tímidos recuos do desemprego e, consequentemente, para uma recuperação mais lenta da economia.

Apesar da queda de 0,6% na taxa de desocupação em julho, o principal indicador que recuou foi o dos trabalhadores sem carteira assinada (11,7 milhões) e os profissionais que trabalham por conta própria (24,2 milhões), com altas de 3,9% e 1,4%, respectivamente.

Para o economista Márcio Salvato, do Ibmec, esse é indicativo que pode impactar o PIB a médio e longo prazo. “É importante notar que o mercado informal está em expansão e, mesmo com a queda tímida do desemprego, quem trabalha com menos segurança tende a gastar menos, movimentando menos a economia. As mudanças da reforma trabalhista, principalmente, fortaleceram esse cenário, com maior índice de trabalhos informais”, avalia Salvato.