Dia 1º de abril, meio-dia, e o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo registra: neste ano, até àquela hora, os contribuintes brasileiros desembolsaram R$ 434,9 bilhões em tributos. Ao mesmo tempo, portais de notícias divulgam a portaria da Secretaria da Receita Federal que eleva, a partir de ontem, os impostos sobre cervejas e refrigerantes, entre outras “bebidas frias”.

Durante a manhã, a Praça 7, uma das mais movimentadas da capital mineira, foi mais uma vez palco de um protesto de jovens, contra um possível aumento das passagens de ônibus. Cerca de 300 estudantes fecharam um lado da avenida Afonso Pena, a partir das 8 h, para iniciar uma passeata que passaria diante da sede da Prefeitura e terminaria com um enterro simbólico da educação, na Praça da Liberdade.

Os manifestantes não se preocupam apenas com as passagens de ônibus. Pedem o fim do programa Reinventando o Ensino Médio, da Secretaria de Estado da Educação, que inclui o sexto horário para os alunos.

Por coincidência, no mesmo dia a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que testou a capacidade de estudantes de 15 anos de 44 países para resolver problemas de matemática aplicados à vida real. O Brasil ficou em trigésimo oitavo lugar. Apenas 2% dos alunos brasileiros conseguiram resolver problemas mais complexos, sendo que em países como Cingapura a média chegou a 11%.

Aparentemente, técnicos da equipe econômica do governo não se sairiam bem nesse teste, se o fizessem aos 15 anos de idade. Ao divulgar para a imprensa esse aumento de impostos, não souberam informar qual será o percentual de aumento médio para todas as bebidas ou sobre cada item individualmente. Mas, em entrevista, o secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, disse que a expectativa é a de que a arrecadação aumente em R$ 200 milhões até o fim do ano, com esse reajuste das alíquotas de IPI, PIS e Cofins do setor de bebidas frias. O aumento estava programado para outubro de 2013, mas foi adiado para evitar impacto maior na inflação daquele ano.

Haverá matemático que consiga calcular qual o impacto, neste ano? É um problema complexo e a economia, por não ser uma ciência exata, está aberta a “chutômetros”. Fabricantes e comerciantes podem ou não repassar ao consumidor o aumento do imposto. E com os jogos do Brasil na Copa do Mundo, a tentação para subir os preços das cervejas bem acima da nova alíquota é irresistível.

O próprio governo não tem resistido, nos últimos anos, ao impulso de elevar o imposto sobre as cervejas, a qualquer pretexto. O de agora é evitar um aumento maior das contas de energia elétrica, em razão da falta de água nos reservatórios das hidrelétricas.