A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indeferiu pedido da Gol para retomar voos de jatos e aviões de grande porte no Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha, em Belo Horizonte. A intenção da companhia aérea era operar no terminal o boeing 737-700, que tem capacidade para transportar até 144 passageiros. Com a negativa do órgão regulador, apenas as empresas Passaredo e Flyway estão autorizadas a utilizar o espaço. Juntas, elas realizam 16 pousos e decolagens diariamente durante a semana, sendo que o número cai para seis aos sábados e domingos.

Praticamente um terminal fantasma, o Aeroporto da Pampulha amarga prejuízo de R$ 17,9 milhões apenas nos nove primeiros meses deste ano, segundo a Infraero, que administra o espaço. Sem passageiros, vários estabelecimentos comerciais que atendiam aos passageiros fecharam as portas.

Ao vetar a operação da Gol, a Anac alegou que o "aeroporto possui restrições para receber aeronaves maiores", sendo necessário  "investir na ampliação ou correção da infraestrutura existente". Ainda segundo o órgão, o espaço está compatível para realizar somente voos com aeronaves AT72, AT45 e E145. No entanto, o entendimento da Infraero é que o terminal está apto para atender à demanda de aeronaves maiores, até código C - Embraer 190, Airbus 318, Boeing 737-700. "Contudo, até o momento, não há autorização por parte da Anac para qualquer operação com esses equipamentos ou para a oferta de novos voos com aeronaves menores no caso de voos regulares", informou a Infraero, por meio de nota. Enquanto os órgãos do governo federal não chegam a um consenso, o aeroporto prossegue com um "elefante branco" na capital mineira. 

 

Veja o relatório financeiro da Infraero para o Aeroporto da Pampulha

Subutilização

Com capacidade para atender até 2,2 milhões de passageiros por ano, Pampulha opera hoje com um terço da capacidade. As duas pistas receberam 32.354 voos até setembro de 2016, índice bem inferior ao movimento de 107.250 da capacidade anual. Além dos executivos, voos com destino a Ipatinga e Uberaba (MG), Rio de Janeiro (RJ), Porto Seguro (BA) e Ribeirão Preto (SP) partem do terminal.

Na avaliação do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA), não há impedimento legal para a liberação de boeings no Aeroporto da Pampulha. "Para a cidade, é importante ter os dois espaços. O sindicato entende que o Aeroporto da Pampulha pode ter outro perfil, mais executivo, não concorrendo com o de Confins", defendeu o diretor de Base do Sindicato, Leandro Pinheiro.

'Inoperante'

A situação do Aeroporto da Pampulha se agravou em 2007, quando foi fechado para jatos e aviões de grande porte. O retorno das operações de maior porte é um pedido antigo do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA), mas causa temor aos moradores da região, que reclamam do barulho das aeronaves. Procurada pela reportagem, a Azul e a Latam informaram que estão atentas às necessidades dos clientes, mas que, por enquanto, "não estão previstos voos para a Pampulha".

Aeroporto da Pampulha volta a ser alvo de polêmica com possibilidade de mais voos

Crise econômica faz aeroporto da Pampulha virar espaço fantasma
 

Aeroporto da Pampulha - Marcelo Prates

Pistas do terminal estão subutilizadas com a demanda de poucos voos