O senador e ex-governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (14) que o senador Aécio Neves (PSDB) será o presidente do Brasil, "mais cedo ou mais tarde". O mandatário mineiro entre 2010 e 2014, no entanto, evitou apoiar o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A declaração foi dada justamente no lançamento de campanha de filiação do PSDB, em Belo Horizonte.
 
"(Aécio Neves será o) Futuro presidente do Brasil mais cedo ou mais tarde. Isso não é dúvida, é questão de 'timing', como se diz. É evidente", disse o senador tucano, que, sempre comedido, engrossou o tom na crítica ao governo federal. "(Passamos por uma) Crise ética gravíssima. Crise política mais do que grave pela absoluta, absoluta, total falta de liderança do atual governo federal. Isso é nítido".
 
Anastasia rechaçou fazer oposição do "quanto pior, melhor", mas não poupou os ataques ao PT. "É de pasmar um governo que tem 80% dos deputados, ou até mais, 80% dos senadores na sua base, não tenha condições de ter aprovado um projeto sequer. Porque falta liderança, de confiança, de respeitabilidade. Isso é muito grave", criticou Anastasia, que ainda qualificou o governo petistas como um "vendaval que veio para tentar destruir tudo".
 
Sobre um eventual impeachment, no entanto, o senador não manteve a contundência. "É uma questão de ordem muito mais jurídica, das instituições funcionando. E cabe aos órgãos que são incumbidos do controle e da Justiça os passos necessários à apuração do que eventualmente ocorreu", disse.
 
CAMPANHA PARA INTERROMPER QUEDA
Mesmo com a vitória de Aécio Neves com 64% dos votos em Belo Horizonte, na disputa presidencial em 2014, o PSDB vem registrando sequenciais quedas no número de filiados desde 2012 na capital mineira. De 13,6 mil, naquele ano, o partido tem hoje 13,4 mil. "Muitas vezes as pessoas não querem se filiar por diversos motivos. O objetivo da campanha nacional de filiação é exatamente para que as pessoas se manifestem. As pesquisas realizadas mostram que PSDB já tem a preferência popular. Precisamos transformar a preferência em ativismo", afirmou Anastasia.
 
Além da campanha boca a boca, a sigla pretende facilitar a filiação com a criação de um site, no qual o pretende poderá se registrar. O endereço eletrônico, no entanto, ainda está em fase de criaça. Todo o esforço, especialmente às vésperas de manifestação contra o governo, no próximo domingo, é para reverter o cenário em Minas.
Responsável pela gestão em Minas de 2003 a 2014, o PSDB viu o número de filiados se estagnar na casa dos 150 mil em 2012 - com ligeiras quedas. Com a campanha, a meta é chegar aos 200 mil até dezembro.
 
"É uma meta arrojada, é, mas é possível pelo ambiente que percebo. Povo brasileiro não só está indignado com a política, mas percebeu que fomos enganados. A alternativa para mudarmos o Brasil é participar", afirmou o presidente do PSDB estadual, deputado federal Domingos Sávio.
 
Durante o evento de lançamento, o partido apresentou fichas de novos 800 filiados. Para promover a campanha, oficializou a filiação de três vereadores de Belo Horizonte: Bim da Ambulância (ex-PTN), Juninho Los Hermanos (antigo PRB) e Pablito (ex-PV). "Não estamos compactuando com o que está acontecendo no Brasil", disse Pablito.
Em Maceió (AL), Aécio Neves comandou a campanha de filiação nacional do PSDB.
 
PT MINEIRO DIZ TER 11 MIL PEDIDOS EM ANÁLISE
Por outro lado, o PT cresceu - mesmo que sutilmente - o número de filiados em Belo Horizonte em relação ao ano passado - de 21,4 mil para 21,6 mil. Atualmente, o partido afirma analisar 2,1 mil pedidos de filiação em Minas Gerais. Outros 9,6 mil novos filiados estão na fase de participação de cursos, para então ter a ficha aprovada, ainda conforme a sigla.
 
"O PT promove atividades partidárias para formação e recebe novos filiados em seus congressos, encontros macro e microrregionais e de lideranças. No primeiro semestre de 2015, por exemplo, a legenda realizou 19 encontros regionais, de lideranças e o Congresso Estadual", afirmou o PT mineiro.