O candidato ao governo de Minas pelo PSDB, Antonio Anastasia, descartou nesta terça-feira (11) a venda de ações da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, o tucano afirmou que é contra a abertura de capital da companhia, enfatizando a necessidade do Estado manter o controle da estatal. 

“Nós já vendemos no passado parte da Cemig e da Copasa, mantendo o controle do Estado. Não vejo necessidade disso (venda de ações de empresas estatais), até porque a Codemig representa uma fonte importante de recursos para o Estado. Nós devemos manter a Codemig como patrimônio, usando-a como alavanca de recursos, mas mantendo seu controle, seu patrimônio no Estado”, completou.

A comercialização de parte das ações da estatal é desejo do governador Fernando Pimentel (PT), que quer transformar a Codemig em uma empresa de sociedade mista e fazer a cisão da empresa pública, colocando à venda 49% dos títulos. Os recursos obtidos com a negociação das ações seriam usados para quitar as dívidas com as prefeituras e com o funcionalismo público.

A intenção de Pimentel é dividir a Codemig em duas partes: a Codemge, que assumiria o papel de estatal, e a nova Codemig, que seria responsável por cuidar apenas da mina de Nióbio em Araxá.

Em abril, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou um alto risco de dano ao erário público e suspendeu qualquer ato do governo de Minas ou da Codemig que vise cessão de cotas ou comercialização de títulos da companhia, até que o tribunal julgue o mérito da questão.  

Nióbio

O nióbio é um elemento químico usado como liga na produção de aços especiais e um dos metais mais resistentes à corrosão e a temperaturas extremas. O elemento é usado em automóveis, turbinas de avião, gasodutos, tomógrafos de ressonância, além de várias outras aplicações.

O Brasil é responsável por 98% das reservas de nióbio do mundo, com reservas que giram em torno de 842 milhões de toneladas do mineral. Minas Gerais concentra 75% das jazidas de nióbio no país.

Mais recursos 

Em relação à delicada saúde financeira do Estado, Anastasia indicou que, caso eleito, vai pleitear junto ao governo federal a liberação de mais recursos para atenuar a crise econômica que Minas atravessa.

“Nós vamos fazer um trabalho integrado, com dois eixos: de um lado melhorando a economia do Estado através de um processo radical de simplificação de exigências burocráticas para transformar o ambiente de negócios em Minas em um ambiente amigável, hoje é hostil. Por outro lado, vamos fazer economias, reduções e negociações com o governo federal para aumentar a nossa receita. Não será um processo imediato, do dia para a noite, é um processo gradual. Lento, mas que faremos para devolver Minas à sua regularidade econômica". 

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