Candidato do PSDB ao governo de Minas, Antonio Anastasia negou qualquer incômodo com a propaganda veiculada pela coligação do governador Fernando Pimentel (PT), que o vincula ao senador Aécio Neves (PSDB), mas afirmou que há embasamento para o pedido de retirada da peça dos veículos de comunicação.

No vídeo divulgado pela coligação de Pimentel, com duração de 30 segundos, pessoas abordadas nas ruas são estimuladas a responder rapidamente a primeira relação que vem à cabeça, a partir de uma palavra dada pela produção. Quando o nome de Anastasia é citado, os cidadãos presentes no vídeo o relacionam com o ex-governador Aécio Neves, investigado pela Operação "Lava Jato", e que foi padrinho do candidato no início de sua trajetória política. 

Na última sexta-feira, a coligação “Reconstruir Minas Gerais”, de Anastasia, protocolou uma representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), pedindo a retirada da propaganda. O TRE-MG afirmou que não há um prazo para a decisão sobre o pedido do PSDB, mas que uma definição deve sair em breve. Enquanto não há uma decisão sobre o imbróglio, a peça segue sendo veiculada. 

Em visita ao Ceasa Minas, nesta segunda-feira (10), Anastasia disse que não há desconforto com a veiculação da peça e explicou o motivo de ter recorrido à Justiça para remover o conteúdo do ar.

“A mim não incomoda nada. Temos questões que são de ordem jurídicas, que são feitas com acompanhamento do nosso setor jurídico, e é esse setor que toma essas decisões. Na interpretação da área jurídica, não havia representação do candidato. Entendemos que deve haver nas propagandas a representação do candidato”.

Questionado sobre o motivo de não citar em seu programa eleitoral o nome de Aécio, de quem foi vice-governador, o candidato do PSDB ao Palácio da Liberdade foi sucinto. “Porque nós temos 400 candidatos a deputado federal na coligação”.

Confira outros temas abordados por Anastasia durante a visita ao Ceasa Minas

Motivo da visita à Ceasa Minas

“Tive uma reunião com a diretoria da Associação Comercial da Ceasa e me apresentaram algumas sugestões de problemas que eles têm aqui. Problemas em relação à gestão, infraestrutura, estacionamento, viaduto, questões institucionais e a necessidade se adensar, tomar mais profunda, a parceria entre poder público, nos três níveis, e a Associação Comercial da Ceasa. No nosso caso, se eleito, o compromisso é, cada vez mais, ter um trabalho integrado. Porque a Ceasa representa a alimentação do mineiro. Grande parte dos alimentos consumidos em Minas Gerais passam pela Ceasa, que é uma potência econômica e tem o nosso respeito". 

Pedidos dos comerciantes

"Eles têm a solicitação e duas obras físicas, que o prefeito de Contagem (Alex de Freitas-PSDB)  já conseguiu o empréstimo para fazê-las, pela prefeitura, e também uma questão relativa a um projeto de lei referente à institucionalização do modelo. Está no Congresso e nós vamos apoiar". 

Campanha sem ataques

"Sou candidato de oposição. Não só eu, mas a maioria. É só um candidato do governo, os outros são candidatos da oposição. O candidato da oposição, naturalmente, tenta apresentar deficiências e falhas, isso é normal na democracia. Não sou candidato da situação. Não são ataques pessoais fora do contexto político. Eu apresento falhas do governo e, como fui governador, defendo o meu governo e apresento o que nós fizemos ao nosso tempo, pedindo as pessoas para fazerem a comparação de como foi o nosso governo com o governo atual. Então, isso não representa ataques, representa a apresentação de fatos vinculados à campanha, vinculados a propostas e a equívocos e deficiências que acreditamos que temos hoje em Minas Gerais". 

Resposta de Pimentel

Em entrevista coletiva no Palácio da Liberdade nesta segunda-feira (10), Fernando Pimentel comentou sobre o pedido do PSDB e aproveitou para alfinetar o rival. 

"Eu nem tinha visto esse comercial. Eu achei um comercial muito inteligente, com tom de brincadeira, humorístico. Me surpreende que o nosso adversário, de fato, tenha tanto pavor da vinculação com um grande amigo dele, padrinho político dele, que é o senador Aécio Neves. Eu, por exemplo, não tenho nenhum constrangimento em dizer que sou muito vinculado ao presidente Lula, à presidente Dilma. Tenho muito orgulho das amizades que eu tenho. Se o outro não tem orgulho de suas amizades, cabe ao povo julgar", finalizou.