O senador Antonio Anastasia (PSDB) negou publicamente, pela primeira vez ontem, o interesse em ser candidato ao governo de Minas, embora a pressão das lideranças tucanas locais sobre ele seja grande. Anastasia, que tem mais quatro anos de mandato no Senado, também descartou a possibilidade de ser o vice na chapa presidencial do governador de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin.

“Minha manifestação é antiga no sentido de que acredito que já tenha cumprido uma missão como governador. Acredito que possa colaborar mais na esfera federal como senador, participando do apoio ao presidente (sic) Geraldo Alckmin (PSDB-SP) – espero que ele seja presidente – no Senado. É minha posição por hora. Nós vamos conversando, mas a minha posição ficou pública”, disse, sobre a candidatura ao governo mineiro.

Sobre a possível vice-candidatura na chapa de Alckmin, o senador foi taxativo. “Nenhuma hipótese (de eu ser vice). Isso tudo ainda é matéria a ser muito discutida avante. Neste momento estamos discutindo palanques estaduais e a composição das chapas em relação à participação dos partidos”, afirmou.

Além de Anastasia, o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), vem sendo cotado para vice na chapa do governador de São Paulo ao Planalto. Alckmin negou o convite. “A escolha de vice é mais para frente. Agora ainda vamos ter a definição de candidaturas neste mês e em abril, saber os partidos que terão candidato próprio”, disse.

Essa foi a primeira declaração pública do senador mineiro sobre as eleições. A fala foi antes de um almoço de Alckmin com empresários mineiros, em Nova Lima. O presidente estadual da legenda, deputado federal Domingos Sávio, mantém a pressão sobre o colega tucano.

“Desde o primeiro momento sabíamos que não era o desejo do Anastasia se candidatar. O desejo dele, a vontade dele, e ele não escondeu de ninguém, era continuar o mandato no Senado. Porém, a vida pública não se faz das escolhas pessoais”, disse.

Na sequência, Sávio foi ainda mais enfático. “Porém, a vida pública não se faz das escolhas pessoais. Muito pelo contrário. A vida pública, quase sempre, é uma escolha para aquilo que o interesse coletivo nos impõe. E está cada dia mais evidente que Anastasia é o nome natural que reúne nosso grupo político”, afirmou, citando a necessidade de Alckmin ter um palanque forte em Minas durante a campanha ao Planalto.

O governador paulista também afirmou que Anastasia é “o nome natural” do partido ao governo de Minas. Alckmin disse não querer constranger o colega mineiro, mas pontuou que “ele sabe que eu quero que ele seja candidato a governador”.

Pesquisas internas feitas por partidos apontam a força de Anastasia, que não se contaminou com a crise de imagem do PSDB e da sua principal liderança, o senador Aécio Neves, alvo de inquéritos na “Lava Jato”. Caso Anastasia siga, de fato, fora da disputa pela vaga hoje ocupada por Fernando Pimentel (PT), o mais provável é que a legenda apoie o deputado federal Rodrigo Pacheco, no MDB, mas de malas prontas para o DEM.

“Temos o deputado Rodrigo, o (ex) deputado Dinis Pinheiro, o ex-prefeito Marcio Lacerda, nomes que estão na oposição ao atual governo. Mas temos que aguardar um pouco para que as conversas se consolidem em abril e maio”, disse Anastasia.