A jornalista Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), deixou na madrugada desta quinta-feira (22) o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, na bairro Horto, na região Leste de Belo Horizonte, e seguiu para prisão domiciliar na casa dela, em Brumadinho, na Grande BH.

A irmã de Aécio foi presa no dia 18 de maio, em meio a uma denúncia de que o senador afastado teria recebido uma propina de R$ 2 milhões. A jornalista é acusada de ter negociado com Joesley Batista, da JBS, uma propina para o irmão. De acordo com a defesa dela, Andrea ofereceu para o empresário a compra de um apartamento da família, mas Joesley não se interessou pela compra.

No dia 13 de junho, a Primeira Turma do STF votou pela manutenção da prisão de Andrea, por 3 votos a 2. Já no dia 20, os mesmos ministros decidiram conceder a ela a prisão domiciliar, mesma decisão tomada para Mendherson de Souza Lima e Frederico Pacheco, acusados de corrupção no mesmo caso.

Primeira Turma

No dia 20, o primeiro julgamento foi em relação a Mendherson Souza Lima, filmado pegando parte do total de R$ 2 milhões que, de acordo com as investigações da Procuradoria-Geral da República, foram entregues pela JBS a pedido de Aécio Neves. Ele, Frederico Pacheco e Andrea Neves são apontados como auxiliares do tucano na denúncia oferecida pelo crime de corrupção passiva.

O último e desempatador voto foi do ministro Luiz Fux, que na semana passada havia votado pela manutenção da prisão de Andrea Neves, mas ontem disse entender que a prisão de Mendherson – e, por extensão, de Andrea – poderia ser revogada. 

Fux apontou a necessidade de medidas para impedir a possibilidade de destruição de provas, “porque ainda não temos um juízo completo sobre as demais atividades criminosas”. 

De acordo com o voto de Fux, a 1ª Turma decidiu aplicar a Mendherson prisão domiciliar, proibição de contato com os investigados, proibição de se ausentar do país, entrega do passaporte e monitoramento eletrônico com tornozeleira. Junto com ele, votaram os ministros Marco Aurélio Mello e Alexandre de Moraes; ficaram vencidos Luís Roberto Barroso e Rosa Weber, que queriam a manutenção da prisão.

Defesa

Em nota, a defesa do senador afastado afirma que o dinheiro foi um empréstimo oferecido por Joesley Batista com o objetivo de forjar um crime que lhe permitisse obter o benefício da impunidade penal. O empréstimo não envolveu dinheiro público e nenhuma contrapartida por parte do senador, não se podendo, portanto, falar em propina ou corrupção. "O senador tem convicção de que as investigações feitas com seriedade e isenção demonstrarão os fatos verdadeiramente ocorridos", diz a nota.

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