Quando se pesquisa sobre os primórdios do automobilismo europeu, alguns nomes se destacam Auto Union, Mercedes-Benz e Alfa Romeo. Claro que se coloca na lista outras marcas como Bugatti e Maserati. Na década de 1930, a rivalidade entre entre alemães e italianos nas pistas tiveram grandes contribuições para a indústria do automóvel. 

Mas a Segunda Guerra Mundial foi devastadora, para todo mundo, e muito impactante na Alfa Romeo, que vivia um bom momento antes da guerra. Mas se hoje a marca ainda existe com seus elegantes automóveis que exaltam o Cuore Sportivo, muito se deve ao belíssimo 6C 2500 Villa d'Este.

Foi nesse período que o engenheiro Ugo Gobbato revolucionou a Alfa Romeo. Com a experiência acumulada na reestruturação de fábricas como a unidade de Lingotto, em Turim, assim como coordenou a construção de fábricas da Fiat fora da Itália, ele fez com que a planta de Portello deixasse de ser um galpão desorganizado para se tornar uma verdadeira fábrica de carros. 

Nos anos 1930, a Alfa estava sob o comando do governo de Benito Mussolini. O bom resultado das pistas permitia a fábrica desenvolver modelos urbanos sofisticados para vender ao mercado europeu. Claro que os volumes eram pequenos, mas com valor agregado elevado, que mantinham as operações. 

E um desses carros era o 6C 2300, um belo roadster que simbolizava o desempenho da marca do Cuore Sportivo. Quem tinha dinheiro queria ter um carro esportivo, mesmo que automóveis, por mais simplórios que fossem, eram aquisições para poucos. Mas a Alfa já sabia que a vaidade era um combustível eficiente e resolveu aliar a esportividade com a praticidade.

Em 1938, a marca apresentou o 6C SS 2500 Villa d'Este. Tratava-se de um cupê fascinante, com linhas que até hoje são modernas, seu nome era uma menção ao famoso Concorso d'Eleganza Villa d'Este, que completaria 10 anos em 1939. 

Equipado com uma unidade seis cilindros em linha de 2.5 litros de 110 cv, esportivo era capaz de acelerar a até 170 km/h. Pode parecer pouco hoje, mas para um carro de rua dos anos 1930, ele era um foguete que fazia os grandalhões alemães comerem poeira. Em 1939, ele venceu a corrida de Tobruk a Trípoli, que mostrou que ele era um carro de alto desempenho e chamou a atenção dos europeus endinheirados. 

O 6C 2500 era um carro grande, com versões com entre-eixos alongado e curto, além de versões de cinco e sete lugares. Caro, cada unidade se equivalia a cerca de 10 unidades de um simpático Fiat 508 Balilla. Ele era o carro perfeito, lindo, rápido, espaçoso e claro, caro.

Mas a guerra foi desastrosa para a Alfa, que precisou interromper a produção do cupê, que acumulava tiragem bem modesta, de cerca de 160 unidades. Para piorar, a fábrica foi bombardeada em 1943, destruindo boa parte do maquinário. E como desgraça pouca é bobagem, Gobbato foi assassinado, em 1945. 

Para não fechar as portas, a marca voltou a focar nas competições, em seus galpões ainda restavam componentes que permitiriam dar continuidade ao 2500 Villa d'Este. Em 1945, foram montadas poucas unidades da versão  2500 Sport, mas que foram cruciais para reerguer a Alfa Romeo. O modelo ficou em linha até 1952, com quase 700 unidades fabricadas. 

Pelos números, não é preciso dizer que o Alfa Romeo 6C SS 2500 Villa d'Este é um carro raro. Para se ter uma ideia, um exemplar foi arrematado em um leilão da RM Sotheby's, em 2015, por 784 mil euros (algo em torno de R$ 4,84 milhões, na cotação atual).