Alguns automóveis nascem com uma simpatia que acaba lhes dando uma espécie de personificação. Um desses exemplos é o Mini, carrinho lançado em 1959 e que se tornou um dos automóveis mais carismáticos de todos os tempos, ao lado do Fusca, do Fiat 500 (original) e também do Romi-Isetta.

O Mini foi um projeto do designer Sir Alec Issigonis, com objetivo de ser um automóvel de baixo custo para atender ao mercado britânico –que ainda se recompunha da Segunda Guerra Mundial. Com apenas 3,05 metros de comprimento e 2,03 metros de entre-eixos, o Mini poderia levar os Fab Four sem aperto e se adequava bem às vielas inglesas, assim como demais ruas estreitas europeias.

Mas, apesar de ser um carro espartano, era extremamente engenhoso na arquitetura, com um habitáculo que ocupava 80% da área total e consolidava o conceito do motor em posição transversal. Apesar de esse tipo de configuração ter sido apresentada ainda no século 19 e reaparecido 1947, com a Saab, foi o Mini que tornou a disposição popular. Hoje, os transversais se tornaram padrão em automóveis que adotam motores compactos e com tração dianteira.

E por falar em motor, ao longo dos 41 anos que esteve em linha, o Mini teve sete propulsores. Todos de baixo deslocamento, entre 0.9 e 1.3 litro, com potências entre 33 e 76 cv. 

Popstar
O Mini se tornou um ícone da cultura pop britânica. Muita gente o reconhece como o carro do personagem Mr. Bean (Rowan Atkinson). Mas o carrinho ganhou fama no longa “The Italian Job”, de 1969, refilmado em 2003, com Mark Wahlberg, Charlize Theron, Edward Norton e Donald Sutherland no elenco. A diferença é que foram usados os Minis modernos da BMW.

Muito mais que fazer sucesso diante das câmeras, o Mini foi um fenômeno de vendas. No Reino Unido, foi produzido pelas empresas British Motor Company (BMC), British Leyland e Rover Group, além de outras seis marcas na Europa, África do Sul e Austrália. Só a primeira geração, feita na Grã Bretanha e Austrália, vendeu 1,2 milhão de unidades de 1959 a 1967.

A segunda geração, em linha de 1967 a 1970, trazia poucas modificações técnicas e visuais, mas marcou a expansão da produção. O carrinho foi montado em países como Bélgica, Portugal, Espanha, Malásia e até Chile. De 1990 a 1995 chegou a ser feito na Venezuela. Em 1999, foi eleito o segundo modelo de maior influência do século 20. 

Tão incrível quanto os "besouros" de Liverpool e de Wolfsburg!