A indústria japonesa se consolidou a partir dos anos 1970, quando chegou com seus modelos compactos nos Estados Unidos, como uma solução eficiente para o consumidor em meio à Crise do Petróleo. E não tardou para surgirem esportivos que até hoje são referência, como o Nissan Skyline GT-R e 240Z, assim como o Toyota Celica Supra (que era uma versão de alto desempenho) e posteriormente modelos Honda e Subaru.

Mas poucos são tão excêntricos como o Mazda RX-7. O esportivo japonês ficou em linha entre 1978 e 2002. Nesse período, teve três gerações, todas equipadas com um motor do tipo Wankel, com dois êmbolos rotativos de baixo deslocamento. 

A marca japonesa abraçou esse tipo de motor, ainda nos anos 1960, e manteve em produção até 2012. Apesar de ser um tanto exótico, em relação aos convencionais motores de pistões em linha, acionado por virabrequim, para a época, o Wankel era uma solução para modelos compactos, pois não demandava muito espaço no capô. Diversos modelos receberam a unidade, inclusive a picape leve Rotary.

Geração FD

A geração mais popular foi a terceira (FD), que ficou em linha por 10 anos, lançada nos anos 1990, na chamada “era de ouro” dos esportivos japoneses. Por outro lado, foi também a geração de menor tiragem, com apenas 68,5 mil unidades, muito em função de uma tributação extra, pelo fato de o modelo ferir a legislação ambiental japonesa, mesmo sendo vendido na Europa, EUA e Austrália.

Seu desenho mantinha sintonia com as edições anteriores, com uso de faróis escamoteáveis, ausência de janelas espias e para-brisas traseiro abaulado. No entanto com formas arredondadas. Até hoje é um dos carros mais bonitos criados no Japão, ao lado do Toyota Celica, de quinta geração. 

Por dentro, o RX-7 tinha painel com instrumentos voltados para o motorista, como era de praxe nos esportivos da época, envolvendo o condutor como num cockpit. Até mesmo os difusores e controles do ar-condicionado eram voltados para as mãos de quem estava ao volante. Detalhe para a posição paralela entre freio de mão e o trambulador, o que indicava que a alavanca tinha “função” na condução.

Wankel

Sob o grande capô, o RX-7 guardava seu pequeno Wankel, montado atrás do eixo dianteiro, o que lhe garantia excelente distribuição de peso. Com apenas 1.3 litro auxiliado por dois turbos, entregava 280 cv, o que era mais que suficientes para garantir excelente comportamento nas ruas e também nas pistas. 

911 japonês

Como todo bom esportivo, sua tração era traseira e a transmissão manual de cinco marchas, que faziam do RX-7 um carrinho visceral de guiar, assim como um Porsche 993. No entanto, a Mazda também oferecia opção com caixa automática de quatro velocidades.

Seu desempenho era fantástico, pois era um carro que acelerava rápido, com engates curtos e direção muito direta. A tração no eixo posterior garantia a diversão, pois permitia saídas de traseira com facilidade, com num Porsche.

Em seus dez anos de fabricação, a geração DF teve inúmeras versões, entre elas a Type R Bathurst, que homenageava o desafiador circuito australiano, com seus estreitos trechos urbanos. 

Sucessor

Em 2003, o RX-7 foi substituído pelo RX-8, que manteve o motor rotativo sob o capô. Era um carro bonito, com desenho musculoso e contava com duas pequenas portas traseiras para facilitar o acesso. O RX-8 ficou em linha até 2012, com 192 mil unidades fabricadas, mas nunca conseguiu superar a fama de seu antecessor.