Entre os anos 1940 e 1960, a indústria automotiva norte-americana viveu um período dourado. Modelos que moldaram o gosto americano, com carrocerias enormes e grandes motores V8, para um país que voltava vitorioso da guerra, que constituía famílias numerosas. A terceira geração do Mercury Eight era mais uma “barca” que seguia essa filosofia, com bancos para seis ocupantes, porta-malas imenso e preço acessível. Era mais um carro familiar, até que a marca lançou, em 1949, a versão cupê, também conhecida como Monterey, que se tornou o delírio da juventude dos anos 1950, ao lado de Hudson Hornet, Buick Super Riviera e Chevrolet Bell Air.

A família do Eight (que contava com sedã, perua e conversível) era de automóveis funcionais, com poucas variações de motores. Toda a linha era equipada com um V8 255 (4,1 litros) “Flathead” (cabeçote plano), que tinha comandos de válvulas montado no bloco. A unidade oferecia mais vigor ao Merc que o antigo 239 (3,9 litros) presente nos modelos do Grupo Ford até o início dos anos 1950.

Mafioso
Originalmente, o “8” era um cupê elegante, mas nada agressivo. Mas suas linhas arredondadas e musculosas não demoraram a chamar a atenção de preparadores de Hot Rods, principalmente depois que o preparador Sam Barri, em 1951, levou para o Oakland Roadster Show uma versão customizada de um cupê 1949. 

Barri rebaixou o teto, na chamada técnica chopped (que consiste em cortar as colunas ao centro e depois emendar as extremidades), retirou adornos como cromados, removeu maçanetas e rebaixou a suspensão do carro. O visual era extremamente agressivo, fazendo do modelo uma referência em customização até a chegada dos mucle cars em meados da década de 1960. 

Veterano
Apesar de toda sua elegância, estilo e suas linhas belíssimas, o Eight precisava evoluir e, a partir de 1952, quando se tornou o Monterey, ganhou formas que seguiam o estilo rabo-de-peixe e posteriormente elementos extravagantes de design que imperaram nos EUA. O Monterey seguia a dinâmica frenética da indústria de Detroit, que atualiza o design de seus carros quase que anualmente. Daí para frente, ele cresceu em dimensões acompanhando “parentes” como Ford Galaxie e Lincoln Continental.

No entanto, depois de um período de “ostracismo”, o cupê voltou à cena em 1986, com a estreia do longa-metragem “Stallone Cobra”. O detetive durão e autor de frases memoráveis como “Você é um cocô, e eu vou matar você”, dirigia tresloucadamente um Mercury, ano 1951, com customização ao estilo de Sam Barri. 

Fabricado entre 1949 e 1951, o Mercury Eight Coupé é um carro raro, principalmente no estado original. Mas é a versão malvada que atrai olhares e inspira muita gente a vestir uma camisa preta, colocar um Ray-Ban espelhado e um palito de fósforo no canto da boca.

Só não vale falar as pérolas de Stallone!