Muitos carros fizeram sucesso nas telas do cinema, desde o fusquinha Herbie, da Disney, ao Aston Martin DB10 de “007 contra Spectre”, mas poucos foram os automóveis que simbolizaram um filme como o Pontiac Firebird Trans Am 1978. Ele foi o carro de Burt Reynolds em “Smokey and Bandit”, que por aqui foi batizado de “Agarre-me se Puder”.

Desde a famosa sequência de perseguição em “Bullitt” (1968), com o próprio Steve McQueen ao volante, a indústria do automóvel percebeu que colocar carros nos filmes ajudaria a vender mais. 

A GM fez isso muito bem com o Firebird. Além de Reynolds, Sylvester Stallone também contracenou ao lado do muscle car em “Rocky II”, numa cena caricata sem o apelo do gentleman driver de Reynolds e McQueen.

Valentão
A segunda geração do Firebird foi lançada em 1970, e mais uma vez compartilhava carroceria e chassi com o Camaro. Ele tinha crescido, passou a ter desenho fastback. Era um carro que chamava atenção e tinha credenciais para disputar mercado com Dodge Challenger, Ford Mustang e Plymouth Cuda.

O problema foi o agravamento da crise do petróleo, que levou o governo norte-americano a obrigar que os fabricantes tornassem os imensos automóveis mais econômicos. Foi necessário reduzir a potência. Daí motores que entregavam quase 400 cv foram estrangulados para liberar pouco mais de 130 cv.

Fato é que a GM precisava convencer o consumidor norte-americano de que o Firebird fazia jus ao visual agressivo, mesmo depois da “castração”. Naquela época, modelos compactos e mais leves como Mustang II e Chevrolet Monza eram capazes de oferecer boa performance devido ao peso reduzido.

Mas a GM ainda acreditava no potencial dos muscle cars> que estavam sozinhos na praça. Os rivais desapareceram e os nomes foram emprestados a carrinhos compactos e esquálidos.

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A década de 1970 foi amarga para os muscle cars. Esse modelos de potência elevada e acabamento simples surgiram nos anos 1960 e se tornaram uma febre. Mas em meados da década seguinte caíram em desgraça. 

Assim, toda publicidade era bem-vinda e o cinema que criou uma geração de clientes à Phillip-Morris também seria capaz de vender carros grandalhões, mesmo como o combustível nas alturas.

Bandit
O Trans Am foi a cereja do bolo da linha Firebird. Tinha decoração arrojada com direito a uma fênix flamejante no capô, teto tipo T-Top, com painéis destacáveis e demais elementos de decoração com rodas e frisos dourados, dentre outras firulas.

O carro do Bandit era exatamente assim. No filme, os caminhoneiros Bandit e Smokey precisam furar o cerco policial para contrabandear um carregamento de cerveja do Texas para Georgia.

É um filme de ação com elementos dos melhores pastelões do cinema e que deixa claro que o Firebird tem papel tão importante quanto os de Bandit e Bola de Neve, tanto que o carro era a “isca” para chamar a atenção dos tiras.

O Trans Am 77 era equipado com um imenso V8 6.6 litros, com carburador Quadrijet, mas só rendia 203 cv. Por outro lado, ainda eram motores que entregavam muito torque, devido ao deslocamento. Esse foi um dos 14 motores que o Firebird utilizou até 1981, quando mudou de geração.

No filme, o Pontiac Firebird Trans Am era capaz de fazer com que os policiais comessem poeira, saltassem sobre pontes quebradas e outras proezas, que não condiziam com a realidade.

Mas fato era que esse carro se tornou um clássico justamente pelo papel caricato. Hoje uma unidade do Firebird igual ao de Burt Reynolds varia entre US$ 30 mil e US$ 230 mil.