Após um cenário de quedas consecutivas registradas desde 2014, o mercado imobiliário de Minas Gerais prevê alta de 1,3% para 2019. Em 2013, último ano em que houve crescimento no setor, a alta foi de 3%. A projeção foi apresentada nesta segunda-feira (17) pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). 

“Tivemos em 2018 o retorno dos lançamentos imobiliários em Belo Horizonte e Nova Lima, com crescimento de 42,8% em relação ao ano passado”, afirma Ieda Vasconcelos, assessora econômica do Sinduscon-MG. Entre os meses de janeiro e outubro deste ano, as duas cidades receberam 2.285 novas unidades frente a 1.600 lançados no mesmo período de 2017.

Os números positivos tiveram influência sobre a geração de empregos em Belo Horizonte, conforme explica Daniel Furletti, coordenador e economista do Sinduscon-MG. “BH foi a capital brasileira que mais gerou empregos na Construção Civil em 2018, seguida por Curitiba e São Paulo”, diz. Em Minas Gerais, foram contabilizados 28,3 mil novos postos de trabalho com carteira assinada nos primeiros dez meses do ano, sendo que 20 mil contratações foram na Grande BH. 

Os especialistas ressaltam, porém, que o aumento no número de lançamentos ainda não foi capaz de suprir a demanda e o estoque atual é considerado baixo. “Temos 4.176 unidades em estoque, 10% menos que no ano passado”, explica Furletti. Segundo ele, isso acontece porque as vendas são superiores aos lançamentos desde 2016, já que a falta de confiança do empresariado inibiu os investimentos nos últimos anos.

O cenário ainda pode ser agravado pela aprovação do novo Plano Diretor de Belo Horizonte, que está em votação na Câmara dos Vereadores. O texto com 159 páginas e 30 anexos propõe modificações que reduzirão o potencial construtivo na cidade. “A mudança do coeficiente para construção pode dificultar ainda mais o lançamento de novas unidades, o que levaria à falta de imóveis na capital”, explica Renato Michel, vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG. Com a queda na oferta, ele prevê um aumento no preço dos imóveis, que pode chegar a 30%. “Impacto não somente para o bolso do consumidor, mas para o setor que precisa vender, para investir em novos negócios e assim gerar novos empregos”, afirma.

Além do Plano Diretor, a projeção positiva também depende de fatores que devem se concretizar no âmbito federal. Entre eles, está a aprovação da reforma de Previdência, a destinação do FGTS para a compra de imóveis e a continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida.