Anunciada como certa durante a semana, a greve dos transportadores de combustíveis de Minas Gerais, que reivindicam redução no ICMS sobre o diesel no Estado, foi adiada, ontem, ao menos por 15 dias, após reunião entre a categoria e a área econômica do governo estadual.

Segundo o presidente do sindicato que reúne as empresas e profissionais do setor em Minas (Sindtaque-MG), Irani Gomes, no encontro com representantes da Secretaria de Estado da Fazenda, a categoria entregou o pleito para que o ICMS sobre o principal insumo do setor retorne ao percentual de 2011.
“Era 12%, mas foi elevado para 15% sob a alegação de que o Estado vivia problemas financeiros. A promessa era de que o aumento durasse pouco tempo, até o governo restabelecer seus caixas”, lembrou Gomes.

“ Mas ficou só na promessa e a gente tem brigado desde o governo anterior para que a alíquota volte ao valor de antes”, acrescentou.

A resposta dada ontem ao Sindtaque-MG pelo Estado foi confirmada, no final da tarde, pela assessoria da Secretaria da Fazenda: um pedido de 15 dias para que o governo avalie a pauta dos tanqueiros. 

“Vamos esperar esse prazo, mas mantendo o estado de alerta. O governo precisa fazer alguma coisa”, disse o sindicalista.
A revisão de impostos, incluindo o ICMS, que é responsável por mais de 50% da arrecadação estadual, era uma das promessas de campanha do governador Romeu Zema. 

Após o presidente Jair Bolsonaro “convocar” os estados a zerarem o tributo, recentemente, o governador informou que não teria como abrir mão de receitas, em razão dos graves problemas fiscais do Estado.

Durante a semana, ao ser questionado sobre a reivindicação dos tanqueiros, o Executivo manteve posicionamento descrito em carta assinada pelos governos de Minas e de mais 21 estados ao governo federal, em 3 de fevereiro, sobre a impossibilidade de abrirem mão do ICMS. 
Caso não haja acordo e a greve seja deflagrada, dentro de duas semanas, 6 mil caminhões podem deixar de transportar combustíveis em Minas, gerando desabastecimento.