Os bons resultados dos principais indicadores econômicos em 2019, como a redução da Selic (5,5% ao ano), ajudam na recuperação do nível de emprego neste ano, tanto em Belo Horizonte (alta de 2,31% de janeiro a setembro), quanto no Brasil (aumento de 1,98% no mesmo período), segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Mas a desigualdade no país ainda é alta, conforme o Índice de Gini, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para apurar o tamanho da diferença entre as classes sociais. Varia de zero a um e, quanto mais baixo, menor é esta diferença. O indicador, embora divulgado em 2019, tem como ano-base 2018. 

Ficou em 0,509, acima do apurado em 2015 (0,494), a última edição. “Essas variações no índice de Gini têm muito a ver com as flutuações na renda dos mais ricos”, disse Adriana Beringuy, analista do IBGE. O estudo constatou que o rendimento médio mensal de trabalho da população 1% mais rica foi quase 34 vezes maior que da metade mais pobre.

Significa dizer que a parcela com maior renda obteve, em média, R$ 27.744 por mês. Já os 50% menos favorecidos ganharam R$ 820.

Para muita gente, contudo, ter uma carteira de trabalho assinada é o principal objetivo. Em Belo Horizonte, o saldo entre admissões e demissões ficou positivo, no acumulado dos nove primeiros meses deste ano, em 20.963 registros. Apesar da recuperação, muitos trabalhadores temem perder a vaga.

Vale até recorrer a um santo para não sair do mercado de trabalho, como fez Alessandra de Jesus, de 40 anos. Devota de São Judas Tadeu, padroeiro das causas impossíveis, ela aproveitou o dia ontem dedicado ao apóstolo e foi ao santuário que o homenageia em BH.

Responsável pelas admissões e demissões na empresa onde trabalha, Adriana levou a carteira de trabalho para ser abençoada perante a imagem do santo. “Sempre trago. Mas neste ano o pedido é mais forte. Além disso, foi uma forma de externar minha fé no santo e pedir que minhas três primas encontrem, logo, um emprego”, admitiu.

Quem também foi ao santuário agradecer – e pedir – foi Tiago Aurélio Moreira, de 32 anos. Com a mãe desempregada desde o início do ano, tem observado as dívidas crescerem. “Mesmo que meu irmão trabalhe, notamos, no bolso, que as contas apertaram lá em casa”, contou.

Economista da Fecomércio, Bárbara Guimarães recordou que, em setembro, ocorreu “a primeira edição da Semana do Brasil, que também aqueceu o setor, em uma época de vendas normalmente mais fracas”.