Diante de uma infinidade de promoções divulgadas na semana que antecede a Black Friday, celebrada no próximo dia 23 com promessas de descontos de até 60%, dezenas de sites e aplicativos atuam como “caças-fraude” dos supostos descontos, analisando histórico de preços e condutas das empresas. A principal intenção é ajudar os consumidores a não cair na indesejada “Black Fraude”.

Neste ano, mesmo com um nível alto de desconfiança do consumidor — 50% deles acreditam que a data promocional serve para maquiar descontos — a maioria dos belo-horizontinos (62%) planeja gastar R$ 500 em média durante a ação promocional. Desses, 44% vão comprar pela internet, segundo dados da Fecomércio-MG. 

“Uma das principais dicas é desconfiar sempre que o desconto for alto demais, ultrapassando 60% ou 70%, principalmente relacionado a produtos novos, lançados a pouco tempo. Se for pesquisar, o ideal é usar sites fiscalizadores”
Marcelo Barbosa
Procon Assembleia

Justamente pelo aumento da procura nas compras on-line, que nos últimos dois anos acumulou alta 20% no período da Black Friday apenas em Belo Horizonte, os aplicativos de controle de preços adquiriram papel importante na data.

O coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa, diz que, diante a tendência maior de comprar pela internet, é preciso estar atento para fugir dos milhares de anúncios falsos. “Uma das principais dicas é desconfiar sempre que o desconto for alto demais, ultrapassando 60% ou 70%, principalmente relacionado a produtos novos, lançados há pouco tempo. Se for pesquisar, o ideal é usar sites fiscalizadores, e não consultar os próprios sites ou lojas das empresas que você pretende adquirir o produto”, diz Barbosa. 

Um dos principais fiscalizadores da Black Friday é o “Reclame Aqui”, plataforma criada para queixas de consumidores, e que funciona como radar de propagandas falsas durante a data de promoções. Além de permitir a publicação de relatos de consumidores sobre compras enganosas, o site lista as empresas com maior número de reclamações e críticas, bem como os motivos mais frequentes das queixas e os produtos que apresentam mais problemas. No topo da lista de reclamações estão os celulares, seguidos por eletrodomésticos em geral, justamente os itens de maior procura durante a Black Friday.

“Tentei adquirir uma câmera fotográfica mais cara, mas não consegui. Alguns itens caros e que não estão ultrapassados dificilmente aparecem nas promoções”
Natália Rodrigues
Estudante universitária

Com um recurso mais avançado, o site “Mais Barato Proteste” foi lançado ano passado e oferece a opção de instalar uma extensão no navegador da internet para acompanhar, a partir de pesquisas em sites de compras, a evolução de preços de determinado produto ao longo dos meses. 

A economista Ana Paula Bastos, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), avalia que a fiscalização digital ajuda na barganha de preços em lojas físicas — e não somente como facilitador de compras on-line. “Como a desconfiança é alta sobre os descontos, uma boa forma de barganhar é usar sites que comparam preços de lojas físicas também, muitos em tempo real. O que percebemos é o digital ajudando os consumidores a terem mais controle na hora de comprar presencialmente. E não só facilitando compras mais seguras pela internet”, diz a economista.

Consumidores recomendam pesquisa com antecedência

Desde as primeiras edições da Black Friday no país, a estudante universitária Natália Rodrigues, se dedica a garimpar durante dias as ofertas disponibilizadas principalmente na internet. A tática consiste em começar a comparar os produtos cerca de duas semanas antes das promoções começarem, segundo a estudante.
“Eu tenho que olhar antes para não ser pega de surpresa com mudanças de preço apenas aparentes. Alguns produtos a gente não consegue comprar de jeito nenhum. Há uns dois anos consegui comprar um celular novo com R$ 600 de desconto. Mas, também tentei adquirir uma câmera fotográfica mais cara, mas não consegui. Alguns itens caros e que não estão ultrapassados dificilmente aparecem nas promoções”, avalia.


“Neste ano, confesso que só volto a comprar na Black Friday se for uma promoção grande. O resto, para mim, não vale a pena. São descontos fake”
Nice Souto
 

Também com dificuldade para encontrar promoções em cima de produtos mais caros, a comerciante Nice Souto conseguiu, no ano passado, comprar dois óculos de sol pelo preço de um. Mas teve que gastar muita sola de sapato atrás de oportunidades. 

“Eu achei uma promoção na rua, decidi sair à caça porque na internet a coisa não é muito confiável. Na minha compra, cada óculos custava, em média, R$ 1.200. Eu comprei dois por esse preço. Mas, neste ano, confesso que só volto a comprar na Black Friday se for uma promoção grande. O resto, para mim, não vale a pena. São descontos fake”, diz Nice.

Histórico
A Black Friday começou nos Estados Unidos ainda na década de 1960, apesar de haver muitas controversas sobre a origem da data — há quem relate inspirações para o evento ainda no século XIX. O nome, “Sexta-Feira Negra”, em tradução livre, é atribuído ao intenso movimento de carros e pessoas em busca de promoções um dia após a comemoração da Ação de Graças nas cidades americanas. Porém, foi apenas no início dos anos 2000 que lojas, shoppings e a maior parte do comércio aderiu à ação em massa. 

No Brasil, o movimento teve sua primeira edição em 2010. E, ao invés de ser concentrado em apenas um dia, diversos lojistas do país realizam uma semana inteira de promoções ou até mesmo um mês de ofertas — sem contar a semana que antecede o dia da promoção, normalmente com adiantamento de descontos para fisgar consumidores.