Além de celebrações religiosas possivelmente esvaziadas em razão da pandemia, a Páscoa deste ano deve ser marcada pela falta de muitos produtos tradicionais na mesa dos mineiros. O motivo é que a maioria dos itens da ceia pascal – como bacalhau e ovos de chocolate – registrou disparada de preços em relação à mesma data de 2020. 

Duas pesquisas divulgadas ontem, pelo Mercado Mineiro e pela Fundação Ipead/UFMG, mostram que alguns produtos chegaram a ter majoração de até 68%. No geral, os índices de encarecimento de alguns são muito maiores do que a inflação para o período – até o mês passado, segundo o IBGE, o IPCA era de 5,2%, em um ano. Somando-se isso o desemprego e a queda na renda de milhões de famílias, diante de um cenário de recrudescimento da Covid-19, tudo indica que o feriado religioso será, mais do que nunca, de sacrifícios.

Alimento tradicional na quaresma e estrela, sobretudo, na Sexta da Paixão, o bacalhau está com preços ainda mais salgados que os de costume. Segundo levantamento do site Mercado Mineiro, o valor do quilo do Saithe, teve aumento de 25% na capital e custa hoje, em média, R$ 63,10. A disparada é ainda maior quando no caso Porto Imperial, que custava em média R$100,65 na Páscoa passada e agora chega a e R$136,90 (+36%). 

De acordo com o economista Feliciano Abreu, além disso, os consumidores terão, sem trocadilho, que fazer uma via sacra para economizar. “A variação de preços no Saithe, por exemplo, chega a 175%. Não há outra saída a não ser pesquisar”, destaca Abreu.

Quem quiser fugir do bacalhau também não terá vida fácil. De acordo com a Fundação Ipead/UFMG, o preço médio dos peixes em BH cresceu, no geral, 18,92%, em relação a 2020. A sardinha em lata, por exemplo, subiu 30% e o salmão, 27%. Mas a campeã foi a traíra, com reajuste de 46%. 

Para a coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Ipead/UFMG, Thaíze Martins, a menor demanda de produtos nas prateleiras, em conjunto com a disparada nos preços de insumos – como embalagens e combustíveis –, favoreceu os aumentos. “Já existe uma tendência de crescimento de preços desde 2016, mas, neste ano, a pressão dos insumos foi maior que a esperada”, explica.

Mesmo com os preços em alta e consumidores recolhidos, entre supermercadistas há expectativa de leve crescimento no consumo dos itens tradicionais da Páscoa, em relação a 2020. De acordo com pesquisa divulgada ontem pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o setor aposta em acréscimo de vendas de produtos como vinhos importados (13,8%), cervejas (12,9%) e azeites (13,4%). 

O uso maior do e-commerce também deve alavancar as vendas. “Em 2020, fomos pegos de surpresa com a chegada da pandemia e do isolamento social bem próximos da Páscoa. Este ano, o setor se preparou para as vendas em período mais remoto, e conta ainda com uma força maior do e-commerce que ganhou mais clientes durante a pandemia”, destaca o vice presidente Institucional e Administrativo da Abras, Marcio Milan.

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