O Brasil é reconhecido como um dos países mais biodiversos do mundo, mas parte importante dessa riqueza em fauna e flora ainda é desconhecida. Para contribuir na organização do conhecimento sobre os ecossistemas do país foi lançado nesta quarta-feira (28), em Brasília, o Atlas do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr).

A iniciativa do governo federal em parceria com outras instituições, como a ONU Meio Ambiente, reúne catálogos contidos em coleções de museus (como o Zoológico da Universidade de São Paulo e e o Emílio Goeldi, do Pará), jardins botânicos (como o do Rio de Janeiro) e projetos de pesquisa de todo o Brasil, além de informações que estavam em espaços como esse em outros países.

O projeto congrega 97 instituições, 191 coleções, 361 conjuntos de dados. No total, são mais de 160 mil espécies reunidas no sistema. O Brasil descreve uma espécie animal e duas de plantas por dia. Esse conhecimento está disponível no site da iniciativa, que permite a busca de espécies específicas e apresenta diferentes análises e formas de visualização dos dados do conjunto da base.

Contudo, há mais dados a serem incluídos, já que o Brasil já registrou cerca de 200 mil espécies relacionadas ao país, e ainda há estimativas, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, de que a biodiversidade nacional abranja mais de 1,8 milhão de espécies.

Presente ao lançamento do Atlas, a representante da ONU Mulheres, Denise Hamú, destacou o papel de integração dessas informações, antes dispersas. Ela relatou que foi um trabalho difícil de convencimento das diversas áreas de pesquisadores, mas que o projeto foi uma conquista ao conseguir reunir esses elementos, permitindo o uso por cientistas, por gestores públicos e pelos cidadãos em geral.

O secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcelo Morales, ressaltou que hoje o Brasil conhece somente cerca de 11% da sua biodiversidade e que esse saber pode ser aproveitado para uma economia focada nesses recursos naturais e, ao mesmo tempo, contribuir para a sua preservação.

“Temos espécies que ainda não conhecemos e que podem ajudar na produção de remédios para curar doenças. Também podemos gerar renda a partir de atividades econômicas como a fabricação de cosméticos ou a descoberta de novos alimentos”, exemplificou.

Análise de dados

Segundo o professor Braulio de Souza Dias, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), a ciência tem papel chave para a tomada de decisão, mas, para isso, é preciso avançar ainda mais na integração e análise dos registros de ecossistemas. Tal esforço demanda um acesso aberto às coleções científicas. Ele recomendou que o SiBBr tenha uma estrutura institucional mais robusta, como está previsto em Lei.

Dias destacou ainda que, assim como em outras atividades, na biodiversidade chegou também o momento de coletar e analisar grandes quantidades de dados, prática que ficou conhecida pelo termo em inglês big data. “Temos modelagem para o clima e não temos para biodiversidade. O desafio é lidar com diferentes tipos de dados de biodiversidade para distintos usos visando finalidades de boa governança.”

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