A corrida pela eletrificação na Europa está a todo vapor. A Audi acaba de apresentar, no Salão de Los Angeles, mais uma proposta para a linha e-Tron. O GT foi o grande destaque do estande da marca e chega em 2020 junto com uma horda de modelos a bateria.

Apesar de ter sido apresentado como carro conceito, o e-Tron GT é praticamente o carro finalizado. Ele é um primo muito próximo do futuro Porsche Taycan. Compartilham muitos componentes, assim como estrutura. Nada de se espantar numa indústria em que dividir custos é um fator de sobrevivência.

Do zero
O GT é um cupê quatro portas, tal como o primo de Stuttgart. A proposta da Audi é oferecer um modelo de alto desempenho, com autonomia de pelo menos 400 quilômetros e o mesmo padrão de conforto de modelos como A6 e A7. Tudo isso para bater de frente com o Tesla Model S, elétrico norte-americano que tem comportamento superior aos supercarros europeus.

A base do e-Tron GT foi desenhada exclusivamente para motorização elétrica. Utiliza assoalho plano para receber as baterias. O peso se concentra na parte inferior do carro e ajuda a reduzir o centro de gravidade, privilegiando sua estabilidade.

O modelo conta com um motor montado sobre o eixo dianteiro e uma unidade de tração Quattro, que faz a distribuição da energia para as rodas de forma independente. Na prática, ele faz o que a famosa tração integral da Audi já faz, mas sem conexões mecânicas.

Comportamento
O resultado é um conjunto motor totalmente elétrico que entrega o equivalente a 590 cv e permite que o cupê acelere de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos.

De 0 a 200 km/h, ele só precisa de 12 segundos. A velocidade máxima é limitada em 240 km/h para preservar a eficiência das baterias.

Abastecimento
O e-Tron GT conta com baterias que permitem carregamento rápido. Segundo a marca, é possível recuperar até 80% da carga com apenas 20 minutos. Outra faceta do modelo alemão é que ele permite carregamento sem fio. Assim como os celulares mais modernos, basta posicionar o carro sobre a plataforma de indução magnética que as pilhas se regeneram. Para isso a Audi pretende oferecer esse “tapete” que pode ser instalado na garagem.

2020
Quem acompanha o noticiário automotivo certamente já deve ter reparado que a grande maioria dos fabricantes europeus tem anunciado uma série de modelos elétricos para 2020. 

A data, na verdade, é uma corrida contra o relógio, pois segundo as regras da União Europeia a frota deve reduzir as emissões em até 30% em 2021 e 50% em 2030. 

A norma da Agência Ambiental Europeia (EAE) prevê que modelos novos que emitam até 50 gramas de CO2 por quilômetro equivalerão a dois carros de passeio em 2020; 1,67 em 2021; 1,33 em 2022; e 1 em 2023. São os chamados “super créditos”. Ou seja, eles irão equalizar com aqueles modelos que ainda continuarão emitindo acima do estabelecido, equilibrando a frota e evitando que os fabricantes paguem multas.

Corrida
Daí as montadoras terem se apressado para finalizar os elétricos. Nesse período também há uma corrida para a disponibilidade de pontos de recarga pública. Já os fornecedores têm se debruçado para conseguir entregar componentes que atendam às exigências de eficiência energética da União Europeia.

Analistas preveem que em 2021 a participação dos elétricos seja de 4,8% e chegue a 9,3% em 2024, como aponta pesquisa divulgada pela consultoria IHS Markit. Modelos como Mercedes-Benz EQC, BMW iX3, Porsche Taycan, Audi e-Tron, Smart ForFour EQ e Volkswagen ID são alguns dos elétricos que começarão a pipocar no Velho Mundo, já na virada dessa década.