O vírus da zika terá um impacto "modesto" na economia da América Latina e do Caribe, estimou nesta quinta-feira o Banco Mundial, anunciando 150 milhões de dólares para combater a doença na região.

"As estimativas iniciais do impacto econômico a curto prazo da epidemia do vírus da zika para 2016 na América Latina e no Caribe são modestos", afirmou a instituição em comunicado. Segundo o Banco, cerca de 478 milhões de dólares em investimentos podem ser perdidos por causa da doença, ou 0,06% do Produto Interno Bruto (PIB) regional.

Mas essas estimativas são baseadas no pressuposto de uma resposta internacional "rápida e coordenada" contra a propagação do vírus, e no pressuposto de que os riscos mais graves para a saúde estão restritos às mulheres em idade reprodutiva. Ainda assim, os países que são altamente dependentes do turismo, particularmente no Caribe, podem sofrer perdas de mais de até 1,6% do seu PIB e necessitariam de ajuda internacional adicional para parar o impacto do vírus em suas economias.

Com relação ao PIB, Cuba seria um dos países mais afetados, com 0,86% ou 664 milhões de dólares em investimentos não percebidos, atrás apenas de Belize, com 1,22%. México sofrerá o maior impacto em termos de dinheiro, 744 milhões de dólares, seguido de Cuba, República Dominicana (318 milhões), Brasil (310 milhões) e Argentina (229 milhões).

Da mesma forma, se a correlação entre a zika e a síndrome neurológica de Guillain-Barré (SGB) for confirmados, e a transmissão de sexualmente do vírus da zika, ou as percepções de risco aumentarem, "os impactos econômicos podem ser significativamente  maiores", disse o Banco. "Nossa análise sublinha a importância de uma ação urgente para parar a propagação do vírus e proteger a saúde e o bem-estar das pessoas em ações de países afetados", disse o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, citado no documento. A instituição está preparada para "fornecer suporte adicional se necessário", acrescentou .

Para combater o vírus, o Banco Mundial anunciou 150 milhões de dólares, que estarão "imediatamente disponíveis" para os países afetados. A ajuda tem como alvo trabalhos de vigilância e controle, cuidado de pessoas em situação de risco como as mulheres grávidas e em idade reprodutiva, e os cuidados pré e pós-natal para as complicações neurológicas, entre outras respostas contra o  vírus, de acordo com o comunicado.

Com mais de 1,5 milhões de pacientes no Brasil e 31.000 na Colômbia, a América do Sul é a região mais afetada pelo zika, um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também transmite a dengue, a febre amarela e a chikungunya.