A BH Airport, administradora do Aeroporto Internacional de Confins, ainda não sentiu, na prática, os efeitos negativos da regulamentação dos voos de grande porte no Aeroporto da Pampulha, definida em outubro pelo governo federal e que deve começar a vigorar no mês que vem.

Mas colheu ontem, pelo menos, um benefício em função das seguidas queixas que tem feito quanto à possível queda no movimento de passageiros na unidade, caso a partilha de voos com a Pampulha não seja revertida. Atendendo a pedido da empresa, o BNDES anunciou a prorrogação, por dez meses, de 15 de janeiro para 15 de novembro de 2018, do prazo para pagamento de um empréstimo ponte de R$ 405 milhões (R$ 420 milhões em valores atualizados) obtido pela concessionária.

Segundo nota do BNDES, a prorrogação foi definida justamente em virtude da regulamentação de voos comerciais na Pampulha, decisão que teria “potencial para impactar a previsão de demanda do terminal de Confins”. Esse seria, para o banco, um dos fatores essenciais para a concessão de empréstimos de longo prazo a projetos aeroportuários, já que trata-se de um indicador que “pode comprometer a capacidade futura de pagamento do tomador de crédito”.

A BH Airport, formada pelo Grupo CCR, Zurich Airport e Infraero, informa ter investido R$ 1 bilhão em Confins desde que assumiu o aeroporto, há três anos, e que recorreu a empréstimo do BNDES para melhorar e ampliar os serviços.

Em nota, a BH Airport informou que, apesar de receber a notícia de forma positiva, destaca que o cenário ainda requer cautela, já que o empréstimo, antes com data de vencimento em 15 de janeiro de 2018, seria quitado com um financiamento de longo prazo esperado para este mês de dezembro e ainda não liberado pelo BNDES.

A empresa ressalta que a postergação do empréstimo ponte não resolve a questão, ou seja, ajuda no curto prazo, mas adia o problema.

Para garantir o cumprimento dos compromissos pactuados pela BH Airport, a concessionária convocou assembleia extraordinária entre os acionistas, em janeiro de 2018, onde será avaliado o aporte de capital de R$ 566 milhões.
Para quitar o financiamento inicial do BNDES, a BH Airport conta com a liberação, ainda incerta, pelo mesmo banco, do crédito de longo prazo ao qual se refere o empréstimo ponte, de cerca de R$ 500 milhões.

Enquanto toca projetos como o da nova pista, orçado em R$ 685 milhões e em fase de licenciamento, a BH Airport continua tentando reverter o “efeito Pampulha”. Já entrou com mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a regulamentação e estuda apelar para a Justiça comum.