A facilidade para adquirir insumos, políticas públicas de incentivo e a agilidade em adaptar-se aos anseios dos consumidores fizeram de Belo Horizonte, Betim (na Região Metropolitana) e Uberlândia (Triângulo) as cidades mineiras que mais empregaram trabalhadores em micro e pequenas empresas em 2017.

Na capital mineira, entre demissões e contratações, o saldo ficou positivo em 6.029 novos postos de trabalho, conforme levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Minas, com base em dados do Ministério do Trabalho.

O resultado reflete a luz que clareou o ambiente para o setor a partir de meados do ano passado. “Passamos por uma crise intensa, mas no meio dela surgem oportunidades”, diz a analista de Inteligência Empresarial do Sebrae, Bárbara Alves Araújo.
Em Minas, 2017 terminou com saldo positivo de contratações de 36 mil vagas. No ano anterior, foi justamente o contrário, com 36 mil postos a menos.

Foi exatamente a chance de lucrar em meio à recessão que levou o especialista em TI Marcus Oliveira a abrir o BrewHouse Beer Station, uma estação de growler para cervejas artesanais na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

“Os imóveis, em geral, estão com preços bons. Deu para negociar. Estava buscando um investimento para fazer e acredito que o mercado de cervejas artesanais, apesar da crise, esteja em expansão. Vimos um momento em que as negociações estavam favoráveis. Conseguimos barganhar elementos como aluguel, produtos e marcenaria. Antes da crise, tínhamos dificuldade em negociar, em arrumar pedreiros. Hoje, temos sobra de oferta”, disse.

A crise também trouxe coragem para muitos que engrossaram as taxas de desemprego. Segundo Bárbara, parte dos números pode ser compreendida levando-se em conta a entrada no ambiente de negócios daqueles que perderam o emprego com a recessão ou viram o orçamento familiar reduzido com o menor ingresso de receitas.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico de Belo Horizonte, Daniel Nepomuceno, os setores de eventos, serviços e um leve suspiro da construção civil foram os principais responsáveis pela retomada das micro e pequenas empresas. Ele destaca que a prefeitura lança mão de políticas de incentivo para aqueles que querem empreender, como uma parceria com o Sebrae.

No setor de eventos, Nepomuceno destaca o Carnaval, que transformou-se em festa lucrativa na capital. “Belo Horizonte tem um ambiente de negócios muito interessante. A expectativa é de crescimento também para esse ano”, afirmou o secretário.
Para ele, há ainda uma mudança de comportamento dos consumidores no que diz respeito ao compartilhamento de serviços.

Piores

Na ponta oposta do ranking do Sebrae estão as cidades de Serra do Salitre (Triângulo), Governador Valadares (Leste) e Muriaé (na Zona da Mata). Elas contabilizaram os piores resultados de vagas em 2017. <EM>


SAIBA MAIS
Cidades mineiras com melhor desempenho no saldo de contratações em 2017:
1) Belo Horizonte - 6.029
2) Betim 1.620
3) Uberlândia 1.248
4) Patos de Minas 934
5) Iturama 866
6) Montes Claros 788
7) Varginha 773
8) Nova Lima 757
9) Paracatu 750
10) Alfenas 693

Municípios mineiros que ficaram no vermelho, no saldo de demissões e contratações no ano passado:
1) Serra do Salitre -433
2) Governador Valadares -303
3) Muriaé -292
4) Itabira -291
5) Janaúba -275
6) Coronel Fabriciano -254
7) Juiz de fora -208
8)Astolfo Dutra -185
9) José Raydan -158
10) Ouro Brando -156

O saldo do Sebrae leva em conta uma soma que aufere o total de contratações menos o de demissões. Em 2017, as micro e pequenas empresas contrataram 1.070.991 trabalhadores e demitiram 1.034.936.