Prevista para entrar em operação neste ano sob aporte de R$ 330 milhões, a fábrica de insulina da Biomm Technology, em Nova Lima, ainda é apenas um canteiro de obras. A unidade, que será a primeira fabricante de insulinas do país, tinha projeção de faturamento para este ano de R$ 197 milhões, mas passou por um rearranjo no cronograma de implantação e agora tem previsão de conclusão em 2017.

A empresa credita a postergação do prazo à necessidade de otimizar a fábrica, que deverá aumentar o mix de produtos a serem ofertados, mas também admite pressão cambial na aquisição de equipamentos e maquinário, que são importados. A Biomm, no entanto, tenta antecipar sua entrada no mercado nacional com importação de insulinas.

A decisão de realizar o aporte em fatias foi tomada no final de 2014, de acordo com o Relatório de Administração da empresa, disponível no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “A análise do mercado revelou que o projeto pode ser otimizado e é isso que estamos fazendo. Uma das possibilidades é uma ampliação do portfólio, por exemplo, com a inclusão de outros medicamentos biológicos além da insulina”, informou a empresa, sem citar quais produtos seriam.

De acordo com a companhia, a maior parte do maquinário já foi adquirida e está em fase de confecção. “São equipamentos que demoram de um a dois anos para ficar prontos, então ainda não foram entregues”, informou, por email, a Biomm.

Quando iniciar suas atividades, a Biomm será a única fábrica de insulinas do país, e uma das poucas do mundo. Para sair do papel, a unidade conta com linhas de financiamento e participação acionária de bancos de fomento estadual e federal, além de recursos oriundos da Finep e Fapemig. “Juntos perfazem o total de R$200 milhões contratados, sendo que em 2014 foram liberados R$45,5 milhões e o restante será liberado conforme as necessidades de caixa para fazer frente ao andamento do projeto”, aponta o relatório administrativo da companhia, que também ressalta que a unidade de Nova Lima “continua sendo o maior objetivo da Companhia”.

Importação

No quarto trimestre de 2014, a companhia assinou dois contratos de parceria comercial de importação de insulina visando antecipar a entrada da Biomm no mercado brasileiro, antes mesmo do início de sua produção própria.

O primeiro contrato foi para insulina análoga Glargina, com a empresa Gan&Lee Pharmaceutical Limited, e o segundo para o fornecimento de insulina humana recombinante com a Bioton S/A.

“Vale salientar que ambos os contratos têm exclusividade entre esses fornecedores e a Companhia no mercado brasileiro, e estão sujeitos à obtenção do registro das insulinas junto à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

Produção

A planta de Nova Lima estará focada na produção de insulina humana recombinante, outras insulinas e produtos biotecnológicos. A função da insulina é tratar diabetes dos tipos 1 e 2.

A empresa tem como acionista majoritário o grupo TMG, com 21,66% do capital. O BNDESpar detém 13,99% e Walfrido Mares Guia, 9,93%. O BDMGtec é acionista com 8,13% de participação, H. Mares Guia com 7,70%, Grupo Gaetani com 5,45% e outros, 23,10%.

A Biomm já firmou parceria para construção de uma fábrica de insulinas na Arábia Saudita