A 10ª edição da Black Friday brasileira exige mais do que cuidado para não pagar o dobro pela metade do preço. A sexta-feira (29) é apontada por especialistas em segurança digital como uma das datas mais perigosas do ano para as compras virtuais. De olho no grande número de consumidores dispostos a fazer compras na rede, os hackers investem na criação de páginas falsas com o nome de grandes marcas e divulgação das mesmas nas redes sociais, além do envio de links maliciosos por meio aplicativos como o WhatsApp. Somente neste mês foram detectados 1600 perfis falsos com temática de Black Friday no país, segundo o laboratório de segurança da PSafe, empresa especializada em cibersegurança responsável pelo levantamento.

O golpe não é novo, mas acompanha o crescimento da Black Friday.  O objetivo dos fraudadores é roubar dados pessoais ou de cartões de crédito dos usuários, que podem ser usados em outras transações. 

"Além de receber o dinheiro das vítimas em suas contas, os hackers também roubam dados financeiros e pessoais dos usuários no momento da compra. A clonagem de cartão de crédito, por exemplo, é um dos crimes mais comuns. E ainda há o roubo de identidade, em que eles se passam pela vítima para disseminar outros golpes entre seus contatos ou solicitar empréstimos em seu nome", detalha Emilio Simoni, diretor da PSafe. Assim que as páginas falsas são denunciadas e retiradas do ar, novas surgem em seguida. 

A delegada titular da Delegacia do Consumidor da Polícia Civil de Minas Gerais, Silvia Helena de Freitas, confirma que há um aumento do volume de denúncias logo após a Black Friday.  "Os golpistas ficam atentos à data e se aproveitam dessa vontade de comprar dos consumidores, que acabam clicando em qualquer link malicioso. Percebo que, na maioria das vezes, as pessoas caem por ingenuidade. Os preços são muito abaixo dos praticados pelo mercado e ganham um apelo extra na Black Friday. Muitas vezes falta cautela por parte do consumidor", afirma.

Levantamento realizado pela plataforma de comparação de preços Promobit revelou ainda que cerca de 40% das lojas com ofertas on-line na Black Friday de 2018 não eram 100% confiáveis, por não terem itens de segurança como cadeado e o https no início do link.

As principais iscas para golpes são os eletrônicos (11,21%), seguidos dos produtos de casa e decoração (2,89%), esporte e lazer (2,80%), autopeças (1,93%) e turismo (1,89%).  "Outros muito visados são passagens aéreas ou rodoviárias, joias e roupas de marcas famosas", afirma Tom Canabarro, co-fundador da Konduto, plataforma para pagamentos on-line.

Proteja-se

A delegada Silvia Helena  orienta o comprador para que ele não clique em links enviados pelas redes sociais, mesmo que sejam mensagens de pessoas conhecidas ou amigos, porque podem ser links maliciosos, criados para roubar dados. O recomendado é digitar diretamente o link da loja.

O consumidor deve ficar atento também a ofertas com possibilidade de pagamentos apenas por boleto ou transferência bancária. Os pagamentos por boleto ou transferência devem ser evitados porque não dão a opção de cancelamento.

A delegada  ainda destaca os erros de português e formatação irregular, comuns em documentos falsificados. Ela lembra que o comprador deve checar, em caso de transferência bancária, se o nome que aparece no local do favorecido é o da loja e se os dados cadastrais estão corretos. 

Se já for tarde demais e o consumidor perceber que caiu em um golpe, ele deve procurar uma delegacia para fazer o registro da ocorrência e levar todos os documentos relacionados à compra. Por isso é importante fazer prints de todas as páginas relacionadas às transações.

Confira outras dicas:

  • Verifique se a loja possui conexão de segurança nas páginas em que são informados dados pessoais do cliente (como nome, endereço, documentos, número do cartão de crédito). Essas páginas têm endereço iniciado por https:// e têm o símbolo de cadeado em uma das extremidades. Clique no cadeado e confira se a informação do certificado corresponde ao endereço da loja que aparece na barra do seu navegador.
  • Visite as redes sociais da loja na qual você pretende comprar para checar as publicações de outros consumidores: Facebook, Twitter, Instagram, entre outras. Lá você poderá encontrar as mais diversas opiniões, uma dica é avaliar se há mais comentários positivos do que negativos sobre a loja.
  • Consulte o site Reclame Aqui.
  • No site da loja, verifique os dados fornecidos de: endereço comercial físico; telefones fixos da loja; CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) e Razão Social da loja. A loja necessariamente deve fornecer essas informações no site.
  • Caso suspeite da idoneidade da loja online, ligue para o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), cujo contato deve ser disponibilizado no site da loja e solicite os dados cadastrais da mesma. Se quiser ter 100% de certeza que essas informações são verídicas, confira os dados da empresa nos sites de órgãos públicos: Para confirmar situação de registro da empresa por meio do CNPJ acesse o site da Receita Federal. Atenção para a situação da empresa: se estiver como "baixada", "cancelada" ou "inativa", desista da compra! 
  • Para checar se há reclamações contra o site que você pretende comprar, acesse o Procon de seu estado. E para verificar se há denúncias relativas à empresa, acesse o site da Junta Comercial do estado. Há ainda o site do Procon nacional (www.consumidor.gov.br).
  • Leia a Política de Privacidade da empresa e fique atento aos seus direitos enquanto consumidor: as formas de pagamento disponíveis, prazo de entrega e a política de troca e devolução de produtos.
  • Prefira empresas que aceitem plataformas de pagamento garantido via Internet. 
  • Procure não fazer pagamentos por boletos ou depósitos bancários e nunca faça depósitos bancários em nome de pessoas físicas.
  • Ao salvar ou imprimir todos os passos da sua compra, incluindo e-mails de confirmação, você se previne de injustiças. Esses documentos arquivados funcionam como provas das ações que você realizou e assim, caso haja qualquer inconsistência referente ao serviço ou produtos entregues pela loja, você tem como comprovar seus direitos e garantir que todas as exigências sejam cumpridas com justiça.
  • Para realizar compras online ou acessar sua internet banking, recomendamos que não sejam usados computadores de terceiros ou com acesso público, como em bibliotecas ou lan houses. Você pode ter seus dados pessoais e bancários roubados e correr o risco de ser vítima de um estelionato. 
  • Uma breve busca em sites e aplicativos de comparação de preços é suficiente para saber se o valor do produto a ser adquirido está de acordo com a data. Porém, vale ficar atento aos detalhes em casos de produtos relacionados à tecnologia. Nesse caso, ter conhecimento sobre o bem pretendido pode ser crucial nesse momento.
  • O cartão virtual é mais seguro que o cartão físico, por impedir a atuação de crime no ambiente da internet. 
  • Cuidado com senhas fáceis e que fiquem gravadas ao utilizar redes públicas de wi-fi.
  • Já para um consumo seguro e consciente, o bom senso é fundamental. Redobre a atenção ao orçamento familiar. É fundamental o planejamento das compras, bem como refletir sobre a real necessidade de aquisição do bem pretendido.

* Fonte: Ebit

 

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