Quem leu a edição desta sexta-feira (15) do HD Auto conferiu que o mercado de peruas usadas aqueceu em 2021. Um fenômeno curioso diante do fetiche do consumidor por SUVs. Mas se por aqui as peruas se tornaram carros exóticos, na Europa elas nunca saíram de moda.

Tanto é que a BMW projeta lançar uma inédita versão perua da atual geração do M3, que pode estrear com mais de 500 cv e provar que essas máquinas de silhueta avantajadas não perdem o pique.

Mas enquanto o modelo não estreia, vamos voltar 21 anos no tempo para relembrarmos do o primeiro estudo da M3 Touring. Ela foi revelada em 2000, na mesma época que o M3 cupê da geração E46. Vale lembrar que essa safra é uma das mais queridas do esportivo alemão, ficando atrás apenas do mitológico E30 Evolution.

A perua se diferenciava muito pouco do cupê. Ela recebeu os mesmos para-choques, bitolas, suspensão, para-lamas (com saídas de ar) e escapamento de quatro pontas. Até as rodas eram as mesmas, assim como o conjunto de freio e suspensão. O que diferenciava o modelo era apenas a seção traseira.

“Este protótipo nos permitiu mostrar que, pelo menos de um ponto de vista puramente técnico, era possível integrar um M3 Touring à produção em andamento do Série 3 Touring padrão com pouca dificuldade”, afirmou Jakob Polschak, então responsável por protótipos da divisão M. Isso porque os para-lamas alargados demandavam novas portas traseiras. 

Sob o capô

Se por fora os carros quase eram idênticos, por dentro não seria diferente. A perua recebeu o mesmo bloco seis cilindros em linha S54, com deslocamento de 3.2 litros. A potência era de 343 cv e o torque de 36,5 kgfm. Esse bloco aspirado fez sucesso na época, pois era um motor arisco que entregava toda sua potência a 7.900 rpm. 

Você pode até dizer que é muito confortável e eficiente ter toda oferta de torque abaixo dos 2 mil giros, como acontece em qualquer motor turbo moderno. Eu não discordo, mas não há nada mais estimulante que um ronco metálico “cuspido” pelas ponteiras em rotação máxima.

O M3 (E46) era vendido com duas opções de transmissão, uma caixa automática de seis marchas, ou uma Getrag manual, também com seis velocidades. Para o protótipo foi aplicado a caixa manual, o que fazia dela ainda mais visceral. Já a tração era apenas nas rodas traseira, como nunca deveria ter deixado de ser. 

No entanto, esse carro fabuloso ficou no protótipo. A BMW não topou colocá-lo em linha, mesmo sendo factível de ser feito. Alguém em Munique disse não e o sonho acabou.

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