O motor longitudinal conectado ao eixo cardã e ao diferencial traseiro é um conceito centenário. Ele se consolidou na virada do século 20 e até hoje está em voga. Mas tornou-se dor de cabeça no desenvolvimento de automóveis compactos, pois transmissão e cardã invadem a cabine, roubam espaço e irradiam calor para o interior. O motor transversal chegou há pouco mais de 50 anos, com o Mini, e tem se tornado padrão em toda indústria, até mesmo em marcas que sempre tiveram orgulho de seus pesados cardãs, como a BMW.

Depois do Série 2 Active Tourer, X1, X2, o chinês Série 1 Sedan (fabricado em parceria com Brilliance) e a nova geração do hatch Série 1, o conceito de motor transversal chega pela primeira vez num três volumes feito na Alemanha: o inédito Série 2 Grand Coupé, que chega agora ao mercado europeu (com preços entre 32 mil e 52 mil euros) e não deverá demorar para estrear por aqui.

Como o nome já indica, ele é um cupê quatro portas que segue a linhagem do pioneiro Série 6 Grand Coupe e de modelos como Série 4 e Série 8, que também têm esse tipo de derivação. Fabricado na planta alemã de Liepzig, a BMW estima que um terço das vendas ficarão no Velho Mundo, 20% nos Estados Unidos, outros 15% na China e o restante mundo afora.

Com isso a BMW apresenta um rival poderoso ao Mercedes CLA, que até então tinha apenas a companhia do A3 Sedan.

Visual
Como se trata de um cupê, tem portas sem arcos nas janelas, teto baixo com balanço acentuado e traseira curta. Suas linhas adotam o estilo frontal do novo Série 1, mas com lanternas que seguem o padrão definido pelo Série 8 e que também foram incorporados ao atual Série 3.

Nesse primeiro momento, será oferecido com três versões de motores a gasolina e duas a diesel. A versão de entrada 218i é equipada com unidade três cilindros 1.5 de 140 cv e 22 mkgf, tração dianteira e caixa manual de seis marchas, com opção de dupla embreagem de sete velocidades. Já a versão 228i xDrive tem motor 2.0 de 231 cv e 35 mkgf de torque, caixa automática de dupla embreagem de sete marchas, além de tração integral. 

Veneno
A cereja do bolo é o endiabrado M 235i xDrive. Ele teve o bloco 2.0 elevado para 306 cv e 45 mkgf de torque. Toda a força está disponível a rasos 1.750 rpm e se mantem até 4.500 giros. A transmissão é automática de oito velocidades e a tração também é integral, o que garante controle direcional absurdo. Tudo isso garante aceleração de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos e a máxima é limitada a 250 km/h.

Entre as tecnologias o Série 2 Grand Coupe tem diferencial com deslizamento limitado, controles de estabilidade e tração, além de assistentes de condução, quadro de instrumentos digital e o simpático assistente pessoal, que funciona como o SIRI do iPhone.

Como virou praxe nos carros modernos, esse BMW conta com modulador de ruído no modo esportivo. Trata-se de um ruído propagado pelo sistema de áudio apenas no interior do carro. Por fora, o escapamento segue silencioso. 

Trata-se de um carro moderno que segue as demandas do mercado. Mas para quem já levou um M2 (com tração traseira, eixo cardã, motor seis cilindros de 370 cv e o ronco do diabo no escapamento) ao limite, chega a doer no coração.

Confira o vídeo abaixo e tire suas conclusões!