No início dos anos 1990, a BMW escalou o designer norte-americano Chris Bangle para chefiar o departamento de estilo da marca. Bangle foi responsável por diversos modelos, inclusive o contraditório trio Série 7 (E65), Z4 e Série 6 (E63). Mas, nos idos de 2006, quando a BMW precisou renovar o Série 3 (E90), ela foi mais cautelosa. Afinal, tratava-se do carro-chefe e eles não poderiam ousar como nos demais. Os anos se passaram e as linhas de Bangle foram substituídas por desenhos menos ousados, até mesmo nos esportivos Z4 e Série 8, que são lindos. Mas eis que surgiu o novo Série 4, com seu focinho caricato, que beira o inexplicável.

O novo Série 4 demorou para dar o ar de sua graça e, sejamos francos, poderia ter demorado um pouco mais, até que algum executivo questionasse por quê colocaram uma chupeta na boca do carro. Todo o restante do carro é fascinante, com sua linha de cintura elevada, janelas espias triangulares, uma traseira sensual e fluida, adornada por lanternas afiladas. 

E quando se olha de frente, os faróis são lindos, mas eis que surge a grade. O duplo rim é marca registrada da BMW desde a década de 1930. E sempre a marca conseguiu inserir sua grade de forma harmônica. 

No entanto, desde os novos X5 e X7, foi percebido que o duplo rim passou a ficar superdimensionado. O conceito elétrico i4 era uma prévia do que poderia estar a caminho. Mas tratava-se daquela ousadia que se espera de todo carro conceitual, como foi o Audi Rosemeyer, que serviu de inspiração para o R8, que herdou as ideias, sem precisar levá-las ao pé da letra. 

A BMW explica que a forma se deve pela necessidade de desvincular o Série 3 do Série 4, além de ter uma explicação funcional, uma vez que o desenho otimiza o fluxo de ar no cofre do motor. Explica mas não convence.

O carro

Mas fato é que o Série 4 chega para dar continuidade na linhagem de cupês esportivos que se arrasta desde o 2002 Turbo. Com 4,76 m de comprimento, o cupê é um carro grande, com 2,85 m de entre-eixos, medidas que fazem dele bem maior que seu antecessor. Sob o capô, o modelo pode ser combinado com seis opções de motores, três a gasolina e outras três movidas a diesel. 

A versão de entrada 420i é equipada com motor 2.0 turbo de 184 cv e 30 mkgf de torque. Trata-se do mesmo motor que equipa o 320i, versão mais popular do Série 3. Um degrau acima, surge a versão 430i, que mantém o bloco 2.0, mas recalibrado para 258 cv e 40 mkgf de torque. 

O 420d também é equipado com motor de mesmo deslocamento, mas turbodiesel que entrega 190 cv e 40 mkgf de torque. Um degrau acima, o 430d se apresenta com um turbodiesel seis cilindros 3.0 de 286 cv e 62 mkgf de torque. Nas duas opções diesel, a tração deixa de ser traseira para adoção do sistema integral xDrive.

Linha M

Assim como o Série 3, o cupê também chega com suas derivações de alto desempenho M440i xDrive e M440d xDrive. O primeiro é equipado com o clássico seis cilindros biturbo 3.0, ajustado para 375 cv e 50 mkgf de torque. 

Já o M440d xDrive recorre ao turbodiesel 3.0 ajustado para 340 cv, mas com absurdos 70 mkgf de torque. Vale lembrar que para todas as versões a transmissão é automática de oito marchas.

Conteúdos

O Série 4 pode vir equipado com um pacote farto de conteúdos como assistentes de condução, visão 360 graus, multimídia com comandos por voz, internet 4G integrada, assim como projetor de informações no para-brisas, faróis laser, seletor dinâmico de condução, como o impetuoso modo Sport Plus (que desabilita os controles de tração e estabilidade), dentre outros mimos. 

Enfim, o Série 4 é um gran turismo nato, capaz de arrancar suspiros, com comportamento irrepreensível, pacote de conteúdos farto e design irretocável, até chegar ao focinho, que joga tudo por terra. Vamos torcer para que na estreia do M4, venha a plástica corretiva.