Se a humanidade se rendeu à dinastia do SUV, saiba que num passado não muito distante outra febre tomou conta do mercado. Foi a ascensão dos roadsters, que emergiram praticamente em paralelo com os jipinhos modernos. 

Esse “movimento” teve início no fim dos anos 1980, quando a Mazda apresentou o simpático MX-5 Miata e não demorou para o carrinho japonês cair no gosto dos consumidores europeu e norte-americano. Era uma espécie de resgate dos charmosos conversíveis que surgiram no pós-guerra.

Foi o estopim de uma tendência que entraria em ebulição nos anos 1990 e que segue viva até hoje. E nessa toada, as marcas de luxo alemãs vislumbraram uma excelente oportunidade de negócio. 

A BMW apresentou o exotico Z1, com suas portas destacáveis. Era um carro legal, mas com estilo futurista, que absorvia elementos da primeira geração do Serie 8. Mas o modelo não teve a resposta esperada.

Mesmo assim, os executivos de Munique sabiam que tinha espaço no segmento. Então em 1995 ela apresentou o Z3. Um roadster com formas clássicas: capô longo, traseira curta, teto de tecido e claro, apenas dois lugares. 

O Z3 mesclava modernidade com o passado. Seus faróis duplos protegidos por uma lente retangular seguiam a orientação de estilo da casa. No entanto, as saídas laterais era uma referência ao clássico 507, dos anos 1950. 

Entre os roadsters alemães, ele foi o mais fiel ao estilo. O Mercedes SLK também tinha traseira curtinha, mas contava com teto de aço dobrável. Já o Porsche Boxster tinha cabine centralizada para permitir a instalação do motor central traseiro. 

E o Audi TT se dividia entre a versão cupê e a roadster, também com traseira mais longa. O Z3 tinha a essência da velha guarda, como os clássicos roadsters ingleses como AC Cobra e Jaguar XK 120.

007

O golpe de mestre da BMW foi colocar o Z3 no longa-metragem “007 - GoldenEye”, que estreou em 1996. A marca lançou uma edição com 20 unidades numeradas, mas precisou expandir para 100, devido à procura.

Quando foi lançado, o carrinho tinha diferentes motores, inclusive uma unidade 1.6 de aproximados 115 cv. A ideia era fazer um esportivo divertido e que não fosse proibitivo. Mas sabe como são as coisas, né? Não demorou muito para os motores começaram a crescer: 1.8, 1.9, 2.0, 2.8, até brotar clássico seis cilindros 3.0 de 325 cv, na furiosa versão Z3 Roadster M. 

Essa versão era equipada com transmissão manual de cinco marchas, que conectava o motor ao eixo traseiro. Combinação que fazia desse carro uma das melhores coisas que se poderia dirigir na virada do milênio.

Por dentro

O interior do Z3 era um convite a cair na estrada. A cabine era dividida em dois cockpits. Retrô, o carro abusava de elementos circulares no console, com direito a relógio analógico, medidor de temperatura do óleo e até mesmo um termômetro de temperatura externa.

Atrás dos assentos, o Z3 adornava dois santo-antônios, que seguiam a linha dos antigos carros de corrida. Peças que ficavam à mostra quando se recolhia o teto do carrinho. Aliás, sua melhor pose sempre foi e será com o teto arriado.

Z3 Coupé

Em 1998, a BMW apresentou um estudo que acabou se tornando modelo de série. O Z3 Coupé chegava com carroceria fechada. O estilo era um tanto exótico, que gerou reações controversas. Ele chegou a ganhar o apelido de “sapato de palhaço” devido ao capô longo e a forma do teto.

No entanto, esse carro foi desenvolvido para o consumidor que buscava o máximo de performance do Z3. Tanto que ele só foi equipado com motores seis cilindros e também recebeu uma edição M com 325 cv, tal como a versão aberta. 

Em 2002, ele foi substituído pelo Z4, que já está em sua terceira geração.