Nos computadores, o Ctrl+X é o atalho usado para recortar itens selecionados e copiá-los para a área de transferência. Na vida real, é o nome de um projeto que mostra como e quantas vezes nossos políticos tentaram 'recortar' informações sobre si na internet, jogando-a no lixo. O número chega a, pelo menos, 340 vezes em todo o país. 
 
Os dados são da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que monitora tentativas de cercear conteúdo virtual na Justiça. De acordo com o projeto Ctrl+X, Minas aparece em 4º lugar entre os Estados com o maior número de processos: são 141. 
 
Dentre os candidatos campeões de tentativas de exclusão de notícias negativas da web no pleito deste ano, estão o presidenciável Jair Bolsonaro (24 vezes), João Dória Jr. (11) e Roseana Sarney (10). 
 
Bolsonaro, segundo o Ctrl+X, é o segundo político brasileiro que mais pediu retirada de conteúdo desde o início do trabalho de monitoramento, em 2002. Ele só perde para o ex-senador Expedito Júnior, de Rondônia, que ajuizou ações 34 vezes nas eleições de 2014.
 
No caso do presidenciável, os processos judiciais foram empenhados contra posts críticos no Facebook, contra a divulgação de pesquisa do Datafolha, e um processo para retirar da web todas as reportagens da Folha de S. Paulo sobre o caso da sua ex-servidora que vendia açaí no período de expediente.
 
Já o partido cujos candidatos mais tentaram ocultar informações é o MDB. Ele é responsável por 54 das ações até agora. Na sequência vêm o PSDB (42 tentativas) e o PDT (34). Ainda de acordo com o projeto, o partido campeão de processos desde 2002 é o PSDB, com 368 ações para remover conteúdo, seguido de MDB (358) e PT (225).
 
De acordo com o Ctrl+X, a base de dados do projeto é alimentada por monitoramento ativo de sites do judiciário brasileiro, por representantes de empresas intimadas e por jornalistas processados que entram em contato com a Abraji. Naquelas ações de políticos onde o autor é um partido ou uma coligação, a equipe tenta, segundo o projeto, sempre que possível, identificar quem é o político por traz da ação. Por isso, em alguns casos, o campo "autor" será diferente do campo "político".
 
Motivos para processos
 
Difamação - 2914
Violação à legislação eleitoral - 1394 
Violação a privacidade - 279
Violação a direitos autorais - 136 
 
Decisão judicial 
 
Segundo o Ctrl+X, em mais da metade dos processos coletados pela ferramenta durante estas eleições, os juízes aceitaram os argumentos e determinaram que as informações fossem retiradas do ar. Isso aconteceu em 177 dos 340 processos (52%). O percentual pode crescer, já que para 20 das ações coletadas ainda não há dados sobre a decisão.
 
Tribunais que mais excluem páginas
 
TRE do Maranhão - 78%
TRE do Amazonas - 69%
TRE do Rio de Janeiro - 64%
 
Já o tribunal mais atento a argumentos pela liberdade de expressão é o TSE, que julga os processos dos presidenciáveis. Até agora ele se pronunciou favoravelmente à retirada de conteúdos da internet em apenas 7 dos 41 pedidos judiciais feitos pelos candidatos. 
 
Quem é processado?
 
Facebook, com mais de dois terços dos processos até agora citam entre os réus a empresa.
Em seguida, vêm mais de 100 veículos de mídia, como jornais e sites. 
Por fim, em 12 ações os políticos citaram conteúdos compartilhados no Whatsapp.