Mais um corpo foi resgatado pelos bombeiros nos escombros dos dois prédios que desabaram na comunidade da Muzema, na zona oeste, na tarde desta quarta-feira, (17). Ainda não há identificação da vítima, que foi levada para o Instituto Médico Legal. Com isso, sobe para 17 o número de mortos na tragédia, ocorrida na manhã da última sexta-feira.

Sete pessoas seguem desaparecidas. O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Roberto Robadey, já havia informado na terça-feira que havia uma grande possibilidade de o trabalho nos escombros ser encerrado hoje, sexto dia das buscas. Os bombeiros já conseguiram chegar aos andares mais baixos dos prédios.

No entanto, a tarefa segue com lentidão porque é feita manualmente, sem uso de britadeiras e máquinas pesadas pois ainda há esperança de achar sobreviventes. Cães farejadores que estiveram no resgate das vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG) estão ajudando no trabalho.

Pelo menos dez pessoas ficaram feridas no desabamento dos prédios, que ocorreu três dias depois de a região da zona oeste ter sido duramente castigada por uma tempestade. Três pessoas seguem internadas, duas mulheres em CTI, em estado grave, e uma criança em estado "estável, porém delicado".

Os dois prédios que desabaram ficam numa região dominada pela milícia - o grupo paramilitar que explora vários negócios em comunidades carentes do Rio. A exploração imobiliária irregular é um dos principais negócios da milícia. Os prédios que caíram, como muitos outros na região, foram erguidos e comercializados irregularmente.

Com o encerramento do trabalho dos bombeiros, haverá a implosão de pelo menos 16 prédios do Condomínio Figueiras do Itanhangá. Três deles ficam próximos aos prédios que desabaram e teriam já sua estrutura afetada. Os demais também foram construídos irregularmente.

Policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) querem responsabilizar criminalmente os responsáveis pela tragédia. Uma das empresas intimadas a depor seria a Gaúcha New Construtora Consultoria Planejamento e Projetos LTDA, citada em uma ação civil pública, conforme reportagem do jornal O Globo.