Se hoje, em pleno século 21, já ficamos impressionados com o bondinho que nos leva ao alto do Pão de Açúcar, imagine o cenário há 100 anos, quando a tecnologia era bem mais modesta, e ainda havia todo o desafio de se puxar aquela geringonça lá para cima pela primeira vez, um feito inédito no país de então.

Pois é. O teleférico do Pão de Açúcar – chamado de “Bondinho” pelos cariocas pelo fato de os primeiros modelos serem muito parecidos com os bondes que circulavam em Santa Teresa – chega a um século de história neste ano, com muita festa.

Tudo nasceu da visão de um homem, Augusto Ferreira Ramos. Nascido em 1860, no interior do Estado do Rio, Ramos se propôs um desafio naquele início de século 20: construir um teleférico que ligasse os morros da Urca e do Pão de Açúcar, uma paisagem que já era famosa naquela época.

Quase ninguém, nem mesmo sua família e seus amigos próximos, botavam fé no empreendimento de Augusto Ramos.

Mesmo assim, ele foi em frente e, em 1911, fundou a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, e partiu em busca de parceiros e investidores.

Um passo-chave para o sucesso da operação foi o convencimento do então ministro da Fazenda de que o teleférico ajudaria na promoção internacional da cidade do Rio de Janeiro (que era a capital federal) e do próprio Brasil. E, além de tudo, seria algo marcante mundialmente em termos de engenharia.


O primeiro trecho

Pouco mais de um ano depois, mais especificamente em 27 de outubro de 1912 (ou seja, a comemoração do centenário será neste próximo sábado), entrou em operação o trecho inicial do Bondinho, ligando a Praia Vermelha ao Morro da Urca, com extensão de 528 metros.

Mas o grosso do trabalho ainda estava por vir: levar os cabos – e os bondinhos – até o alto do Pão de Açúcar, com seus 396 metros de altura, na entrada da Baía da Guanabara.

O maior obstáculo, claro, era a dificuldade de acesso. Seria preciso escalar o morro.

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