Com o mercado praticamente estagnado em meio à crise econômica, revendedores de gás apertam cada vez mais as margens dos preços praticados, que foram às alturas. Segundo pesquisa do site Mercado Mineiro, o botijão de 13 quilos (kg) em Belo Horizonte e Região Metropolitana de Belo Horizonte tem sido comercializado por algo entre R$ 67,99 e R$ 95, variando 58%. O preço é similar ao registrado na última pesquisa, realizada em agosto, antes do aumento de 5% do insumo pela Petrobras. 

“Não tem espaço para aumentar porque a população não está comprando. Dessa forma, as revendedoras não conseguem repassar o preço”, afirma o diretor do site, Feliciano Abreu. O botijão mais barato foi encontrado na região Leste de Belo Horizonte e o mais caro na Pampulha.

O fato de o gás estar prestes a bater a marca dos R$ 100 afasta o produto da camada mais pobre da população, que é a base de consumidores do insumo. O motivo é simples: nas famílias com menos renda, o consumo do gás é exponencialmente maior. “As pessoas com menor poder aquisitivo não almoçam fora, não têm micro-ondas ou panelas e utensílios elétricos, como na classe média. Elas dependem exclusivamente do fogão. Sem contar que são famílias maiores, que dividem a mesma casa”, explica o presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito de Petróleo (Asmirg), Alexandre Boijaili.

Com o arrocho econômico, a concentração da renda aumentou ainda mais no Brasil em 2018 e o índice de Gini, que mede as desigualdades sociais, foi o maior desde 2012. 

Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio dos 1% mais ricos do país saltou de R$ 25.593 para R$ 27.744, alta de 8,4%. Em contrapartida, entre os 5% mais pobres houve queda na renda mensal de 3,2%, passando de R$ 158 para R$ 153.

“Pelo menos 28 milhões de pessoas, que estão na camada mais baixa da população, estão enfrentando dificuldade para comprar gás. Isso afeta o mercado inteiro”, diz o representante dos revendedores.

Como consequência da alta no preço do gás, muitos consumidores arriscam a vida utilizando outros tipos de combustíveis. Dados do IBGE divulgados em maio deste ano mostraram que 14 milhões de lares usavam lenha ou carvão para cozinhar alimentos em 2018, aumento de 3 milhões em</CW> comparação a 2016.
E os empresários também sentem, porém, no bolso. “Muitos revendedores fecharam as portas, dando lugar aos clandestinos, que não montam um ponto em casa e não pagam impostos”, afirma o presidente da associação.

 

Governo já estuda a venda fracionada do produto

Como forma de driblar a dificuldade de acesso ao gás de cozinha, que está prestes a bater a casa dos R$ 100 em um cenário de arrocho econômico, o governo estuda permitir a o abastecimento de forma fracionada do botijão. 

“Se a pessoa tiver R$10, ela leva o botijão na revenda e nós abastecemos esse valor. Será como nos postos de gasolina, a pessoa não terá que encher o tanque todo, explica o presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito de Petróleo (Asmirg), Alexandre Boijaili.

Essa é uma das medidas que podem ser implementadas pelo governo federal nos próximos meses dentro da política de abertura do mercado de gás natural no país. A informação foi dada pelo diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Odoni, em cerimônia no Palácio do Planalto para o lançamento do programa Novo Mercado de Gás, em julho deste ano.

“Isso impacta particularmente as famílias de baixa renda, que chegam ao final do mês sem recursos para comprar um botijão completo. Assim, uma dona de casa pode ser levada a migrar para o carvão, a lenha e o álcool, correndo riscos e criando implicações para a saúde pública. Acidentes dessa natureza são frequentemente noticiados. A permissão do enchimento fracionado e a venda de botijões parcialmente cheios são analisadas”, disse Odoni, em discurso.
Com Agência Brasil