Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS; confira dicas para combater a ansiedade

Da Redação
05/06/2019 às 11:31.
Atualizado em 05/09/2021 às 18:58
 (Pixabay)

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O Brasil sofre uma epidemia de ansiedade. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno.

A ansiedade em sua definição técnica, de acordo com o Ministério da Saúde, é caracterizada pela possibilidade de ser benéfica ou prejudicial, dependendo das circunstâncias ou intensidade. Na medida correta, a condição estimula o indivíduo a entrar em ação, mas em excesso, faz exatamente o contrário e impede reações.

Ainda de acordo com a definição do Ministério da Saúde, os transtornos de ansiedade, a patologia, têm sintomas muito mais intensos do que aquela normal no dia a dia. Um indivíduo com a doença experimenta sintomas como  preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar); sensação contínua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer; preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho; medo extremo de algum objeto ou situação em particular; medo exagerado de ser humilhado publicamente; falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou atitudes, que se repetem independentemente da vontade; pavor depois de uma situação muito difícil, entre outros.

Alguns cuidados, indicados pelo Ministério da Saúde, podem ajudar a combater as consequências da ansiedade na vida diária, como praticar hábitos saudáveis e adotar um estilo de vida de qualidade. Confira as dicas:

1. Jamais se isole
2. Consulte o médico regularmente e não tenha vergonha de buscar a ajuda de profissionais
3. Faça o tratamento terapêutico adequado
4. Mantenha o físico e o intelectual ativos
5. Pratique atividades físicas
6. Tenha alimentação saudável
7. Reforce os laços familiares e de amizades
8. Reserve um tempo para curtir a vida e a convivência com os outros
9. E lembre-se: você não é um super-herói. Reconheça seus limites e viva a vida intensamente.Divulgação/Ministério da Saúde / N/A

Tabu

Apesar da alta ocorrência de casos de ansiedade patológica, o tabu acerca do uso de medicamentos permanece. Daniel Martins de Barros, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, confirma. "As duas frases que eu mais ouço na clínica são 'eu não queria tomar remédio', na primeira consulta, e 'eu não queria parar de tomar os remédios', na consulta seguinte. A gente tem muita resistência porque existem muitos mitos: ficar viciado, bobo, impotente, engordar".

Barros explica que todo remédio pode ter efeitos colaterais e eles serão receitados quando existir uma relação de custo-benefício a favor do paciente. "Tudo é assim na medicina e na vida", diz.

Neury Botega, psiquiatra da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que há 30 anos os médicos dispunham de recursos inadequados para tratar a ansiedade. "Ou usávamos drogas bem pesadas, como barbitúricos, ou as que existem até hoje, como as faixas pretas, os benzodiazepínicos. Por isso, nós vimos várias tias, avós, viciadas em remédios e essa é uma das imagens gravadas quando pensamos em tratamentos psiquiátricos".

A partir de 1990, a fluoxetina, mais conhecida comercialmente como Prozac, torna-se popular. Para Botega, isso muda totalmente o paradigma do tratamento da ansiedade. "Hoje, para tratá-la, na maioria das vezes usamos medicamentos que aumentam a atividade de um neurotransmissor chamado serotonina. É o nosso Bombril: mil e uma utilidades".

Em relação ao tempo de duração do tratamento, não há protocolos claros para a ansiedade, como existem para a depressão. "Ele pode durar um tempo ou ser necessário pela vida inteira. Ansiedade é como pressão alta: quando descontrola, às vezes é para sempre. Você pode controlar com atividade física, meditação, terapia, mas ela vai estar sempre ali te ameaçando", diz Martins de Barros.

De acordo com ele, os casos variam bastante: há desde indivíduos que terão alta e nunca mais precisarão de remédios até outros que dependerão de medicamentos para o resto da vida.

'Medicalização'

O historiador Leandro Karnal aponta outro lado da questão e vê uma "medicalização" do comportamento humano. "Se o aluno não consegue acompanhar as aulas, dão remédio para ele. Nem todo mundo que não presta atenção tem déficit de atenção. A aula pode ser chata mesmo", argumenta.

Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, chama a atenção para o que ela intitula de "epidemia de diagnósticos", que envolve leigos e profissionais de saúde. Para ela, cada um de nós hoje usa a lógica médica para olhar para o outro e dizer: "Essa pessoa é chata; essa pessoa tem TOC; fulano surtou". "Nós vivemos à base de diagnósticos e, quando fazemos isso, apagamos a pessoa que está por trás dele".

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