Os ataques recentes que deixaram mais de cem mortos em Paris acenderam, no Brasil, o debate sobre o risco de atentados terroristas nas Olimpíadas que serão realizadas em agosto de 2016, no Rio de Janeiro. No entanto, acordos de parceria com serviços de inteligência de pelo menos 110 países já foram confirmados para a segurança do megaevento. Um número recorde, segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A associação é reflexo da abrangência dos Jogos Olímpicos, que reunirão mais de 200 países e ampliarão o modelo de segurança da Copa do Mundo de 2014, que contou com apenas 32 nações. Nas Olimpíadas, um centro de inteligência coordenado pela Abin irá integrar a participação de todos os países envolvidos e funcionará separado do centro de inteligência dos jogos.

De acordo com a Agência, a maior vantagem de se ter tantos países envolvidos é a riqueza de informações disponíveis para consulta pelo serviço de inteligência. Assim, no caso de ameaças que demandem checagem de informações sobre pessoas suspeitas, todos os bancos de dados dos países participantes podem ser acessados em segundos.

Na próxima semana, a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça (SESGE/MJ) irá apresentar o plano de segurança para os jogos. Já se sabe que haverá ações de cooperação internacional, enfrentamento ao terrorismo, segurança nas instalações olímpicas, operações aeroportuárias e policiamento ostensivo em pontos estratégicos.

O investimento previsto para a segurança do evento é de R$ 674 milhões , segundo o Ministério da Defesa. Além disso, um efetivo de 38 mil militares das Forças Armadas deverá atuar durante as competições olímpicas e paraolímpicas no Rio e nas outras cidades que receberão as partidas de futebol.

O ministério informou que o enfrentamento ao terrorismo será feito com ajuda da estrutura que vem sendo aprimorada a partir de experiências decorrentes da organização de grandes eventos, como os Jogos Mundiais Militares, em 2011; a Copa das Confederações, em 2013; e a Copa do Mundo, em 2014.

Na avaliação do professor do curso de Defesa e Gestão Estratégica Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Henrique Paiva, a experiência do Brasil em grandes eventos internacionais como a conferência Rio 92 e a Rio + 20 dá ao país uma imagem positiva frente às autoridades mundiais.

“Os valores destinados à segurança me parecem proporcionais às reais ameaças que o Brasil pode receber e que esse tipo de evento pode atrair. Embora os recursos pareçam pouco, o Brasil já possui pessoas e equipamentos suficientes para oferecer segurança aos jogos olímpicos”, conclui.

Minas ainda não tem verba definida para Centro de Comando

O esquema de segurança para as Olimpíadas vai articular dezenas de instituições federais, estaduais e municipais, além de parceiros privados, todos sob coordenação do Ministério da Justiça.

Em Minas, no entanto, a Secretaria de Estado da Defesa Social (SEDS) ainda não definiu como serão feitos os investimentos para a segurança nos jogos que serão disputados em Belo Horizonte.
 
“Até o momento, os investimentos específicos da SEDS, que serão voltados principalmente para a área de inteligência e equipamentos para o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), não podem ser mensurados”, informou a secretaria por meio da assessoria de imprensa.

O centro criado para comandar ações de Segurança e Defesa Social durante grandes eventos e possíveis crises envolve as polícias Militar, Civil, Rodoviária Estadual e Federal, Corpo de Bombeiros e Guardas Civis Municipais e custou ao Estado cerca de R$ 2,3 milhões para ser implantado.

O CICC começou a funcionar na Copa das Confederações e possui 1.378 pontos cobertos por câmeras em BH e Contagem, além de rodovias estaduais e federais. Minas foi o primeiro Estado a inaugurar uma estrutura de Comando e Controle, em março de 2013.