RECIFE - Apesar de cerca de 400 internautas terem confirmado presença, apenas seis ativistas ficaram seminus em um protesto de bicicleta neste sábado (7), no Recife. Manifestantes disseram acreditar que os avisos dados pela Secretaria de Defesa Social ao longo da semana de que a PM prenderia quem ficasse nu afastaram os ativistas. 
 
Apenas uma mulher participa do ato. Todos afixaram papéis com a palavra "censura" nas sungas e no biquíni. 
 
"[É] hipocrisia considerar [a nudez] crime, enquanto tantas outras degradações ficam à mostra", afirmou um manifestante que não quis se identificar. 
 
"Se queremos mudar as coisas, tem que meter a cara mesmo", disse o estudante de educação física Davi Holanda, 20. 
 
Holanda disse ter achado criativo o protesto sem lideranças convocado pelo Facebook. 
 
"Achei um movimento criativo e afrontoso. Gosto de afrontar", afirmou. 
 
O servidor estadual que se identificou apenas como Henrique, 27, foi o único a cobrir o rosto, contrariando proibição da PM. 
 
Ele colou a carteira de motorista no ombro, mas a cobriu com a mão durante as entrevistas. 
 
Os ativistas consideraram que o protesto atingiu seu objetivo ao constatar que havia mais jornalistas e curiosos que manifestantes. 
 
Segundo o comandante do 16 Batalhão da PM, Jailton Pereira, a orientação da Secretaria de Defesa Social é prender quem tirar a roupa. 
 
O consultor de negócios Afrânio Barbosa, 56, disse que veio à manifestação protestar contra a situação de hospitais e escolas públicas no Estado e recriminar a lentidão das obras do rio São Francisco e a corrupção. 
 
Barbosa disse protestar desde a década de 1980 e condenou a proibição ao nu. 
 
"Atentado à moral é o que este governo está fazendo conosco", afirmou. 
 
"Não adianta quebrar banco, quebrar rua. Adianta ser inteligente e usar o verbo", disse o manifestante. 
 
Ceará 
 
A Justiça do Ceará autorizou policiais civis e militares a solicitar a identificação de manifestantes que estiverem mascarados durante os protestos do Sete de Setembro no Estado. 
 
A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Ceará e permite que os policiais solicitam a retirada dos objetos tapando o rosto para fins de verificação. Caso haja recusa na identificação, os manifestantes podem ser levados à delegacia mais próxima para averiguação. 
 
O juiz Roberto Coutinho, da 7ª Vara Criminal de Fortaleza, também afirma na decisão que os policiais devem estar "fardados e identificados" para poderem realizar tais ações. 
 
A expectativa do Ministério Público é que essa decisão possa evitar a ocorrência de atos de vandalismo durante os protestos marcados para este sábado. 
 
Em Fortaleza, atos violentos e confrontos com a Polícia Militar marcaram a onda de protestos em junho. Houve até uma tentativa de invasão ao Palácio da Abolição, sede do governo cearense, que terminou com vidros do palácio quebrados e 61 detidos. 
 
Durante a Copa das Confederações, por duas vezes grupos de manifestantes tentaram romper as barreiras de isolamento da PM até o estádio Castelão e por isso acabaram entrando em confronto com a polícia. Nas redes sociais há cerca de 10 mil pessoas confirmadas para os protestos em Fortaleza. Um efetivo de cerca de mil policiais fará a segurança.