SÃO PAULO - O delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Itagiba Franco, disse nesta quarta-feira (7) que estão praticamente descartados outros suspeitos para a chacina que deixou cinco mortos na zona norte de São Paulo que não seja o estudante Marcelo Eduardo Bovo Pesseguini, de 13 anos. "Respeitamos a família, mas vamos trabalhar e, se comprovarmos que foi o menino, paciência", disse.

De madrugada, policiais acharam na casa três armas que estavam guardadas. "Se alguém de fora da família tivesse entrado, certamente teria levado as armas", disse o delegado.

Ele também confirmou que havia sangue na roupa do garoto. "As roupas das vitimas estavam ensanguentadas, mas não havia nada no chão, nem pegadas. As manchas estavam resumidas às vítimas, colchões e travesseiros. Nada nas paredes, no chão".

Segundo Franco, o menino usava uma camiseta branca, com sangue dele. Não haveria sangue de outras vítimas. Seria a mesma camiseta que o rapaz usava sob a jaqueta que ele veste no vídeo que o mostra chegando a sua escola, na zona norte da cidade.

O delegado afirmou que a família já estava morta quando o menino dormiu no carro. "O menino tinha una doença, tomava remédios. Você acha que os pais deixariam a criança passar a noite toda fora, sendo que não eram desleixados? Ele (Marcelo) sabia que eles estavam mortos. Isso é evidente."

Franco disse desconhecer a informação, dada por um comandante da Polícia Militar, de que a cabo havia colaborado nas investigações sobre PMs envolvidos em roubo de caixas eletrônicos. "Ontem o comandante-geral da PM disse isso foi investigado e que nada foi comprovado."

Sobre informações de que Marcelo tinha um hematoma no braço, o que indicaria uma agressão, o policial disse "que isso só será possível saber após a conclusão do laudo pericial".

A polícia encontrou uma luva cirúrgica dentro do carro da família. O que se investiga é se ela foi usada no crime. "Ele usou o carro, dormiu dentro do carro e pode ter usado a luva."