BRASÍLIA - Um grupo de manifestantes agrediu a tapas, pontapés e cusparadas dois coronéis da Polícia Militar e o diretor-geral da Câmara dos Deputados agora há pouco no Congresso Nacional. Um grupo formado pelo deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE), o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, e dois coronéis da PM, dentre os quais o chefe da Casa Militar do governador Agnelo Queiroz (PT-DF), se dirigiu à entrada de parlamentares no subsolo do Congresso para fazer uma averiguação sobre o risco iminente de invasão no prédio, quando foi surpreendido e cercado por um grupo de 200 manifestantes que haviam conseguido furar o cerco da Polícia Militar.

O grupo agredido continuava no prédio do Congresso até às 21h45 desta segunda-feira (17).

Sérgio Sampaio disse à reportagem que recebeu "chutes e tapas". "Quando vi, estávamos cercados", disse o diretor-geral. O deputado Mendonça Filho disse que o grupo foi à entrada para verificar a situação a pedido do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que está na Rússia. Depois das agressões, chamou o deputado André Vargas (PT-PR) às pressas ao Congresso porque resolveu que não assumirá sozinho os riscos de controle de acesso ao prédio.

"Sou o único deputado aqui e não vou tomar sozinho as decisões de segurança", disse o parlamentar. Por volta das 21h30, havia cerca de 700 manifestantes postados na frente do Congresso ainda ameaçando invadir o prédio. Os manifestantes trincaram um dos vidros do Congresso com um martelo. Eles gritam "vamos entrar em casa".

Mais tarde, um manifestante tentou romper o cordão de isolamento da polícia, que reagiu com spray de pimenta, cassetetes e gás lacrimogêneo. Três representantes dos manifestantes estão reunidos com negociadores da polícia legislativa. Entre as reivindicações, eles pediram a punição de todos os que agrediram manifestantes nos protestos ao redor do país e a derrubada da PEC 37, que restringe os poderes do Ministério Público.
 
Sem repressão

Em nota emitida à imprensa às 21h24min, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), assumiu a responsabilidade pela equipe de segurança do Congresso não ter reagido para impedir o ato em frente ao Congresso e a invasão do teto da Casa. "Pessoalmente dei ordens à Polícia Legislativa para que não reprimisse a manifestação popular e que em nenhuma hipótese usasse de violência, mantendo apenas a ordem necessária", afirmou o senador, na nota.

"O Congresso Nacional reconhece a legitimidade de manifestações democráticas como as havidas hoje, desde que as instituições sejam preservadas. [...] O Congresso Nacional continuará aberto às vozes das ruas e recolherá todos os sentimentos das manifestações a fim de encaminhar soluções no que lhe couber, como não poderia ser diferente em um ambiente democrático", afirmou a nota.

Protesto

Milhares de pessoas saíram às ruas hoje em ao menos 11 capitais do país para protestar contra os reajustes da tarifa de ônibus, a repressão policial nas manifestações recentes em São Paulo e para pedir ética na política, investimentos em saúde, educação e transporte, entre outras reivindicações.
 
Além de São Paulo, Rio e Brasília, há protestos nas seguintes capitais: Belo Horizonte, Fortaleza, Vitória, Maceió, Belém, Salvador, Curitiba, Porto Alegre. Há manifestações também em Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Indaiatuba (SP) e Juiz de Fora (MG).
 
Na capital paulista, esse é o quinto protesto. As anteriores foram marcadas por confrontos com a PM. O último caso ocorreu na quinta-feira passada, quando houve confusão na rua da Consolação, na região central.