DNA comprova que sangue em carro da PM não é de Amarildo

Marcelo Gomes
01/08/2013 às 13:21.
Atualizado em 20/11/2021 às 20:35

Não é do pedreiro Amarildo Dias de Souza, de 47 anos, a mancha de sangue encontrada no banco de trás da viatura da PM que o levou de sua casa até à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Favela da Rocinha, em 14 de julho. Amarildo está desaparecido desde então. Na manhã de quarta-feira, 31, dois filhos do pedreiro estiveram no Instituto de Pesquisa e Perícias em Genética Forense (IPPGF) da Polícia Civil do Rio, no centro, para ceder amostras de sangue para exame de DNA. O sangue deles não é compatível com o encontrado na viatura da PM.

Nesta quinta-feira, 1, a mulher de Amarildo, Elizabete Gomes da Silva, vai se encontrar com o procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, na sede do Ministério Público do Rio (MP-RJ), no centro. Também participarão do encontro o promotor Homero das Neves, que acompanhará o inquérito policial, e o delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios (DH), que irá conduzir a investigação. Eles terão acesso ao relatório encaminhado pela 15ª Delegacia de Polícia (Gávea), responsável pela investigação nos primeiros 15 dias de desaparecimento de Amarildo. A partir de agora, o caso será tratado como homicídio pela DH.

Marfan Vieira reuniu-se na quarta-feira com Anderson Gomes de Souza, um dos filhos do pedreiro. "Posso garantir que o MP conduzirá o caso com empenho e interesse. Um atentado aos direitos humanos é sempre tratado como prioridade em nossa instituição", afirmou o chefe do MP-RJ, após o encontro.

O governador Sérgio Cabral (PMDB) voltou a prometer nesta quinta-feira que a polícia vai esclarecer o sumiço de Amarildo. "Somos os primeiros a querer saber onde está o Amarildo. Em comunidades com UPP, os índices de criminalidade caíram barbaramente. Não tem situações como a do Amarildo como tinha no passado. Queremos descobrir onde está o Amarildo, o que fizeram com ele, e quem fez. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, está envolvido pessoalmente. Não posso estabelecer prazo, mas você pode estar certo que nós temos todo o compromisso de esclarecer o que foi feito, onde está Amarildo, e pegar os responsáveis", disse Cabral, em entrevista à Rádio CBN.

Moradores da Rocinha convocaram através de redes sociais mais uma manifestação cobrando solução para o desaparecimento de Amarildo. O protesto está marcado para começar às 17h30, com concentração na passarela da Rocinha na Autoestrada Lagoa-Barra, principal via de ligação da zona sul com a Barra da Tijuca e a zona oeste da cidade. Até o meio-dia, mil pessoas haviam confirmado presença.

O jornal O Estado de S. Paulo noticiou nesta quinta que a Corregedoria da Polícia Militar do Rio instaurou inquérito policial militar (IPM) para apurar as circunstâncias do sumiço do pedreiro. Todos os PMs que estão sendo investigados estão afastados da UPP Rocinha e cumprem expediente administrativo na sede da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), no Complexo do Alemão, zona norte. Os policiais militares, que já foram interrogados pela Polícia Civil, serão novamente ouvidos pela Corregedoria da PM. O órgão vai receber cópias do procedimento da 15ª Delegacia de Polícia (Gávea), que apura o caso como desaparecimento.
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