Em meio à paralisação de um grupo de motoristas de ônibus, descontentes com um acordo sobre reajuste salarial, terminais de Goiânia registraram tumulto e quebra-quebra na manhã desta sexta-feira (16). Ao menos dez deles foram fechados ou registraram atrasos na circulação dos ônibus. 
 
A paralisação começou por volta das 6h, quando um grupo de motoristas bloqueou a garagem de uma das empresas que atuam no transporte coletivo, segundo informações da CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos).
 
Diante do atraso nos serviços, um grupo de pessoas começou a jogar pedras contra ônibus que estavam em alguns terminais. Ao menos 27 ônibus foram depredados --20 convencionais e 7 biarticulados. 
 
Também houve uma tentativa de incendiar um ônibus do eixo biarticulado Anhanguera, de acordo com a companhia. Na confusão, passageiros tentaram quebrar máquinas de alimentos e bebidas do terminal Bandeiras, um dos mais movimentados da cidade. A Tropa de Choque da Polícia Militar foi chamada até o local para o conter o tumulto.
 
Com medo de saques, comerciantes da região fecharam as portas. Ao todo, 17 pessoas foram detidas por suspeita de participar da depredação, segundo a Polícia Militar. 
 
ATRASOS 
 
Os atrasos afetaram principalmente as linhas dos terminais Araguaia, Bandeiras, Cruzeiro, Garavelo, Isidória, Maranata, Parque Oeste, Praça A, Veiga Jardim e Vila Brasília, de acordo com a RMTC (Rede Metropolitana de Transporte Coletivo), que reúne as concessionárias que operam o serviço. 
 
A situação começou a ser normalizada no início da tarde, mas alguns terminais, como o Bandeiras, ainda permanecem fechados ou registram filas e atrasos na chegada dos ônibus. Em outros, a operação é feita do lado de fora. 
 
Na região sul de Goiânia, onde ocorre a paralisação, circulam cerca de 350 mil passageiros ao dia, afirma a RMTC. 
 
A paralisação reúne motoristas que discordam de um acordo realizado na quinta-feira (15) entre um dos sindicatos da categoria e representantes das empresas. 
 
Com o acordo, motoristas devem receber aumento de 7% no salário-base e nas gratificações, além de 16% no vale-alimentação. Segundo o Sindittransporte, representante legal dos motoristas, o grupo que realiza a paralisação defende a proposta inicial da categoria, que previa aumento de 15% no salário-base. 
 
A reportagem tentou ligar para o Sindicoletivo, grupo ao qual pertencem os motoristas que pararam, mas não conseguiu contato até a tarde desta sexta-feira (16).