Um movimento batizado "Pela Reforma de Direitos" tem provocado polêmica e repulsa em centenas de internautas nas últimas horas desta segunda-feira (30). A página foi criada em Curitiba, no Paraná, e conta com mais de 800 curtidas.

A fanpage indica um abaixo-assinado virtual para quem concorda com a ideia de extinguir direitos das pessoas com deficidência previstos na Constituição Federal. "O Movimento pela Reforma de Direito quer parar de ser prejudicado por leis que privilegiam uma minoria e esquecem a maioria", diz o post.

Na lista das exigências, o grupo pede a redução em 50% das vagas exclusivas pra deficientes; o fim das cotas para deficientes em empresas; a redução em 50% de filas e assentos exclusivos para deficientes; o fim da isenção de impostos na compra de carro zero; o fim das cotas em concurso público e o fim à gratuidade para deficientes.

Alguns internautas, no entanto, acreditam que esta seja uma campanha relacionada ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, a ser comemorado no próximo 3 de dezembro.

Facebook

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Facebook afirmou, por meio de nota, que a página já está sendo verificada por membros da empresa.

"Quando uma pessoa denuncia algo, todo conteúdo é analisado por uma equipe de profissionais que trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana, revisando conteúdos em todas as línguas. O Facebook recebe milhões de denúncias por semana e as análises são feitas o mais rápido possível", diz o texto.

Ainda de acordo com a nota, a rede social trabalha para manter em sua comunidade um ambiente saudável. "Para isso desenvolvemos uma série de padrões da comunidade que determinam o que é permitido ou não nas páginas da nossa comunidade, para buscar criar a melhor experiência para todos em nossa plataforma. Os conteúdos que não estão de acordo com esses padrões são removidos".

"Quando denunciado por um membro de nossa comunidade, todo conteúdo é analisado pela nossa equipe de revisão. Basta apenas uma denuncia para que o conteúdo seja analisado e, se vier a ferir os padrões, seja removido".

 

 

Repercussão

O gerente do Conselho Municipal de Pessoas Portadoras de Deficiência de Belo Horizonte, Luiz Vilani, soube da criação da página no início da manhã. "No primeiro momento, a minha reação foi dizer 'que absurdo', mas, depois, lendo com mais calma as publicações me foi possível perceber pontos positivos de tudo isso: o primeiro deles é que a maior parte dos comentários são contra a página, o que mostra o esclarecimento de muita gente. O segundo ponto é que, somente a partir de situações como essa, percebemos o quão necessário é continuar o trabalho de sensibilização. Estamos em evolução contínua e o debate é necessário. Quem criou essa página certamente não compreende que tudo o que está sendo contestado é um direito garantido em Lei", comenta.

 

Leia na íntegra objetivos e argumentos do movimento

>> Redução em 50% das vagas exclusivas pra deficientes

Quem já ficou horas atrás de uma vaga para estacionar, e sempre olhava para aquelas vagas de deficientes vazias, sabe como isso é importante. É para o bem-estar de muita gente.

>> Fim das cotas para deficientes em empresas

Você tem ideia do quanto uma empresa precisa gastar para se adaptar para um funcionário deficiente? Esse dinheiro poderia ser investido em salários melhores, em condições de trabalho para quem leva o negócio pra frente, não é? Quem for bom vai ser contratado, sendo deficiente ou não. É por isso que queremos o fim das cotas para deficientes em empresas com mais de 100 funcionários.

>> Redução em 50% de filas e assentos exclusivos para deficientes

Todo mundo sofre com ônibus lotado e filas gigantes em bancos, não só os deficientes. Por isso, queremos que dediquem mais assentos e atendentes para todos. Chega de lugar vazio com gente em pé. Chega de atendente esperando com gente precisando ser atendida.


>> Pelo fim da isenção de impostos na compra de carro zero

As marcas de automóvel e o governo não vão pagar por esse desconto. Sabe quem vai? Eu, você e todo mundo que não tem culpa nenhuma de não ter deficiência. Carro já é caro demais pra gente ainda ter que ficar sustentando descontos para os outros. Querem ser tratados com igualdade? Então paguem o mesmo que qualquer um.

>>Pelo fim das cotas em concurso público

Você estuda por anos, dedica-se, vai bem na prova. Aí chega a lista e você perdeu seu futuro profissional por causa de uma cota. Coloque-se no lugar de quem passa por isso e pense: é justo?

>> Pelo fim à gratuidade para deficientes

É ótimo incentivar a cultura, mas para todos. Você, que gosta de ir a shows, acha certo que cobrem um preço pesado, que faz falta no seu mês, para que outras pessoas paguem menos? Acha certo pagar por eles? Porque é isto que acontece: os descontos para deficientes são pagos por você. E se você deixa de ir naquele show que tanto queria porque está muito caro, pode ser que um deficiente vá, pagando o que seria justo para todos.