Em meados do ano passado, havia 854 mil engenheiros registrados no Brasil, mas o número está muito aquém das necessidades do país, apesar do crescimento expressivo das matrículas nas escolas de engenharia. O número de formados anualmente mais do que dobrou na década passada, com os jovens sendo atraídos por bons salários.

Na Universidade Federal de Minas Gerais, um curso de formação de engenheiros, o de Engenharia Química, foi o segundo mais concorrido nos últimos dois vestibulares, só perdendo para o de Medicina – outra área carente de profissionais em boa parte dos municípios brasileiros. 
 
O mais interessante é que os cinco primeiros estudantes na classificação geral do vestibular deste ano da UFMG concorriam a cursos de engenharia. E o campeão do vestibular, André Macieira Braga Costa, nascido em Belo Horizonte há18 anos e que fez o segundo grau no Colégio Militar, na Pampulha, é também vencedor da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. Em julho de 2011, ele ganhou medalha de prata na Olimpíada Mundial de Matemática disputada na Holanda. 
 
O diretor da Escola de Engenharia, Benjamin Rodrigues de Menezes, atribui esse interesse renovado pela profissão ao mercado de trabalho aquecido para engenheiros. Os bons salários podem ser um forte incentivo aos jovens, mas certamente existem outros fatores que poderão explicar, por exemplo, que o terceiro curso mais procurado por estudantes na UFMG seja o de publicidade. 
 
Talvez aí se aplique o velho adágio, “mais vale um gosto que seis vinténs”. Pois não é certo que o Brasil esteja carente de publicitários. Pelo menos, nunca tão carente como de engenheiros – e de matemáticos. 
 
André Macieira não precisa se preocupar com seu futuro profissional. Com a disposição para o estudo e o talento para a matemática demonstrada até agora, não se reserva a ele o destino de milhares de jovens que entram numa escola de engenharia e desistem no meio do caminho. A Associação Brasileira de Educação em Engenharia divulgou no ano passado pesquisa mostrando que 43% dos que começam algum curso de engenharia não se formam. Eles desistem porque não haviam sido bem preparados no ensino fundamental e médio para enfrentar a matemática exigida no curso. É um problema deles e, principalmente, do país.
 
As escolas de engenharia devem buscar a solução. Podem, talvez, adaptar os currículos ao nível dos alunos e controlar o ímpeto de exigir além do necessário.