A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (16), as Operações Check in 2 e Raabe para combater quadrilha de doleiros e aliciadores para prostituição no Pará. Segundo a PF, o grupo teria fraudado o sistema financeiro nacional. A investigação indicaram que a organização comprava dólares e outras moedas estrangeiras de forma ilícita e investia o dinheiro no mercado negro do aliciamento de mulheres brasileiras para prostituição no exterior.

Uma das vítimas, de acordo com investigadores, foi localizada pelos policiais, no exterior, quando já estava grávida e dependente de drogas, vivendo de forma precária em um garimpo no Suriname, afirma a PF. Um dos líderes do grupo seria popularmente conhecido, na capital paraense, como "corretor de
gente" - um negociador de pessoas para estabelecimentos comerciais de prostituição no exterior.

Os investigadores afirmam que a organização criminosa mantinha relacionamento com doleiros e casas de câmbio em São Paulo, Manaus e Macapá e teria movimentado um montante estimado em R$ 54 milhões em 2014. De acordo com a PF, veículos carregados de moeda estrangeira e nacional serviam de casas de câmbio ambulantes ao grupo, que contava com o apoio de segurança clandestina.

A ramificação da quadrilha responsável pelo aliciamento de mulheres para a prostituição no exterior, segundo a investigação, é proprietária de dois hotéis em Belém, utilizados para o trânsito das mulheres. Elas teriam permanecido nos locais até que a documentação estivesse pronta para ser entregue ao
esquema de prostituição no exterior.

De acordo com a PF, os agentes tiveram de articular e desenvolver as duas operações simultaneamente quando constataram que alguns alvos da Check in 2 também estavam envolvidos com o aliciamento e envio de mulheres para a Guiana Francesa/Suriname, objeto da Operação Raabe.

A Check in 2 investiga alvos por suspeita de aliciar e arregimentar passageiros, e contratar mulas para compra e venda ilegal de moeda estrangeira nas dependências do Aeroporto Internacional de Belém.

Cerca de 100 policiais federais cumprem 30 mandados judiciais na capital paraense: 15 de prisão preventiva, 5 condução coercitiva e 10 de busca e apreensão. Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, câmbio ilegal, lavagem de dinheiro e tráfico de pessoas.

A Operação conta com a participação do braço policial na PF no exterior e os dados ainda serão trabalhados por policiais federais em mais 16 países, por meio de 32 representações do órgão, na Europa e América Latina. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre as atividades da organização. Neste ano foram
iniciadas mais de 40 investigações da PF para coibir o tráfico de seres humanos para o exterior.

Os trabalhos de levantamento de informações tiveram a participação da Infraero e da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado do Pará.