Se no passado o sonho americano estava no imaginário dos brasileiros de baixa renda, que se mudavam ilegalmente, agora o desejo de receber em dólares se tornou objetivo das classes A e B. Mas essa nova massa de imigrantes chega à América do Norte por meio de altos investimentos em imóveis, franquias, bares e restaurantes. De janeiro do ano passado até maio de 2016, os brasileiros já investiram US$ 2,486 bilhões na terra do Tio Sam, o equivalente a R$ 8,2 bilhões, segundo dados do Banco Central.

Entram nessa conta os recursos usados na abertura de empreendimentos, compra de participação em negócios e aplicações nos EUA. Em 2015, foram R$ 6,41 bilhões e, até maio deste ano, outros R$ 1,79 bilhão.

Mas se antes aqueles que tinham condições de investir no exterior continuavam morando no Brasil, agora o movimento é de mudança completa. “O perfil do brasileiro que está indo embora é o que chamamos de massa cinza. São empresários, empreendedores e intelectuais investindo no exterior”, afirma o presidente-executivo da Morar EUA, empresa que faz consultoria no processo de imigração, Roberto Spighel. Ele concorda que isso representa fuga de capital e de mão de obra qualificada do Brasil.

A mudança no perfil do brasileiro que tem imigrado para os Estados Unidos foi confirmada por cinco consultores que atuam dando apoio na mudança e nos investimentos.

A principal explicação para essa virada é econômica. Nos Estados Unidos, graças à crise iniciada em 2008, muitos trabalhos que antes eram destinados apenas a imigrantes agora são feitos por norte-americanos, o que reduz o mercado para imigrantes menos qualificados. Ao mesmo tempo, houve uma queda do poder aquisitivo dos brasileiros e uma desvalorização do real frente ao dólar. Conjunção perfeita para impossibilitar que integrantes das classes C, D e E sigam adiante com os planos de chegar, legalmente, aos Estados Unidos.

Por outro lado, a crise política e econômica enfrentada pelo Brasil tem sido um motivador para aqueles que possuem reservas financeiras mudarem definitivamente em busca de melhores condições de vida. “Em 26 anos atuando no mercado norte-americano posso dizer que essa é a época com mais investimentos. Tenho clientes que têm indústria e estão, inclusive, transferindo a unidade para lá”, afirma Carlo Barbieri, presidente da Oxford, consultoria brasileira nos Estados Unidos.

Programa EB-5

O processo de imigração acontece de diversas formas. É possível conseguir o visto por meio de investimentos para aqueles que possuem dupla cidadania, sendo uma delas europeia. Há vistos para profissionais transferidos, pessoas com notório saber, estudantes, dentre outros.

Uma opção que vem ganhando mais adeptos é o Programa EB-5 que, por um investimento entre R$ 1,650 milhão e R$ 2,6 milhões, pode-se conquistar o chamado green card.

Mas, conforme lembra Roberto Sphigel, nenhuma opção é barata. Principalmente em época de dólar alto. O que seria mais um motivo para a concentração do processo migratório entre os mais ricos.
imigrante brasileiro para eua é agora das classes a e b; perfil atualmente é de grande investidor

 

"Temos uma nova onda de desesperados que veem nos Estados Unidos maior segurança para viver, levar a família e investir”
Carlo Barbieri
Presidente da Oxford

 

Brasileiros endinheirados migram para os EUA com mala, cuia e bilhões de reais
RETORNO – Leo Ickowicz, sócio-diretor da consultoria imobiliária Elite International Realy, diz
que imóveis comerciais podem dar retorno de7% ao ano com locação e os residenciais,3%


Mercado imobiliário do país concentra maior parte dos investimentos

A maior parte dos brasileiros que aposta as fichas na economia norte-americana investe no mercado imobiliário. Como resultado, as vendas de imóveis para brasileiros aumentou no último ano.

Somente a imobiliária Lello, que faz intermédio de venda de imóveis no exterior, teve uma alta de 50% das vendas na Flórida e de 15% em Orlando no primeiro semestre deste ano frente ao mesmo período de 2015, segundo o consultor internacional da empresa, Demetrio Alkessuani.

Mas o perfil das pessoas que compram esses imóveis é diferente das que faziam o mesmo investimento no passado. “Antes, metade das pessoas que compravam imóveis queriam continuar no Brasil e fazer renda por lá ou ter um imóvel para passar as férias. Agora, são pessoas que querem fixar residência. Elas compram um para elas e outro para ter os rendimentos”, afirma.

Segundo o sócio-diretor da Elite International Realy, consultoria imobiliária com sede em Miami, Leo Ickowicz, os imóveis comerciais podem dar um retorno de 7% e os residenciais, 3% ao ano com a locação. A compra pode ser feita por meio de financiamentos em bancos norte-americanos. É obrigatório dar uma entrada de, pelo menos, 40% e os 60% restantes são financiados a uma taxa de 4,5% ao ano.

EB-5

O programa, que permite que brasileiros conquistem o green card por meio de investimentos, deverá passar por alterações, em setembro. Dentre as mudanças esperadas está o aumento do valor mínimo de investimento de US$ 500 mil para US$ 800 mil, ou seja, de R$ 1,650 bilhão e R$ 2,640 bilhões.

Para o diretor da LCR Capital Partners, Carlos Higuchi, o acesso ao programa EB-5 deverá ficar mais difícil. “Orientamos as pessoas a começarem o processo o mais rápido possível”, afirma ele. As demais mudanças vão depender do Congresso Americano, o que torna o processo mais incerto.
 

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