Vender carro no Brasil não é fácil. Gargalos estruturais, falta de mão-de-obra qualificada, política tributária predatória, câmbio desfavorável, dependência de crédito são alguns desses fatores. No entanto, há um outro fator peculiar da indústria do automóvel. O Brasil não tem matriz, apenas filiais. E quando a matemática joga contra, a matriz bate o martelo. Foi assim com a Ford.

A marca fechou suas fábricas por aqui, pois viu que não era capaz desenvolver um produto regionalizado para atender ao mercado latino em grandes volumes. Então, resolveu passar o cadeado no portão e se assumir como uma marca premium.

Depois do Mustang Mach 1, a marca acaba de lançar o Bronco Sport. Por R$ 256.900, o SUV de pegada off-road chega para ser o carro de jipeiro de grife. Assim como o cidadão que compra um Jeep Wrangler, Mercedes-Benz Classe G ou Land Rover Defender. 

A diferença é que o Bronco com essa finalidade ficou nos Estados Unidos. O modelo para Terra Brasilis está mais para Jeep Compass. Nos Estados Unidos, aliás, eles são rivais diretos, mas a Ford diz que não. 

Para ela, seu concorrente direto é o Discovery Sport. Isso, ainda que Bronco Sport e a versão matreira do Compass sejam muito parecidos, em termos de dimensões e mecânica. A diferença está mesmo é no preço quase R$ 40 mil mais baixo.

Off-Road

E para ter seu pacote off-road bem vendido, o Bronco foi pensado para ser aquele carro para aventura. Ele conta com tração 4x4, com gerenciamento de terreno, seletor de condução, assistentes de condução off-road, suspensão de curso longo, tal como o Jeep. 

Modelo ainda oferece detalhes interessantes, como tomada 110 cv, porta-malas com abertura independente do para-brisas, porta-malas emborrachado, com proteção para o encosto dos bancos traseiros, que forma um assoalho de borracha, prateleira que serve de divisória e que funciona como mesa, luminárias na base da tampa do porta-malas e abridor de garrafas e ganchos de reboque. 

Até o puxador do porta-malas tem formato de cabide, para pendurar itens que não podem ficar no chão, ou secar uma toalha. Recursos práticos para quem está no meio do mato.

Um ponto interessante é que a Ford optou pelo acabamento em couro marrom e miolo em preto. A tonalidade tem uma função prática para facilitar a limpeza e evitar manchas de terra. Bronco conta também com gaveta abaixo do banco do passageiro e porta-revistas com zíper atrás do banco. Tudo para facilitar a transição entre os dois mundos em que ele orbita.

Conteúdos

O Bronco Sport conta ainda com quadro de instrumentos que combina relógios analógicos e um grande visor em LCD. O multimídia de oito polegadas, com sistema Sync, tem câmera frontal (grande angular) para visualização de terreno no fora de estrada. Item que já existe no Duster e que falta em outros modelos com proposta off-road, como o próprio Compass e Renegade.

O modelo também oferece carregamento por indução, conexão com smartphone (com Android Auto e Apple CarPlay), ar-condicionado digital, duas portas USB duas e USB-C, sistema de áudio Bang & Olufsen de 1.000 watts, com 10 alto-falantes e subwoofer, conexão com aplicativo Fordpass Connect, para funções remotas e aquecimento dos bancos.

Já o pacote de segurança inclui assistentes de condução (ACC, alerta de ponto cego, monitor de faixa, leitor de faixas, alerta de tráfego cruzado em ré, frenagem autônoma (com detector de pedestres) de 5 a 80 km/h e assistente de manobra evasiva. O SUV conta ainda com nove airbags e farol alto com ajuste automático e alerta de traseira. A câmera traseira dispõe de ângulo de 180 graus, assim como a frontal.

Motor 

Sob o capô, o SUV é equipado com o conhecido motor EcoBoost 2.0 de 240 cv e 38 kgfm de torque, que já equipa o Fusion. A unidade é combinada com transmissão automática de oito velocidades e a tração, como já foi dito, é integral. A marca garante que ele acelera de 0 a 100 km/h em 8 segundos. Se fosse um Focus, faria mais sentido.

Assim, o Bronco Sport chega (sem previsão de volume) para consolidar a lógica do mercado brasileiro de automóveis, aquela que defende que é melhor vender pouco com preço alto, do que suar sangue para vender muito a preço baixo.