No mercado de hipercarros é difícil encontrar um fabricante que seja tão exótico quanto a Bugatti. Nem mesmo a Pagani ou a Koenigsegg conseguem ser tão excêntricas como a franco-italiana. E a prova disso é o Centodieci. Modelo que ela acaba de revelar para prestar reverência ao clássico EB110. 

Para quem não sabe, o EB110 foi lançado em 1991, logo após a reativação da marca por Romano Artioli. Desenhado por Marcello Gandini (o pai do Lamborghini Miura), o supercarro, equipado com um motor V12 3.5 (com quatro turbos) de 560 cv, era capaz de chegar aos 355 km/h.

Fabricado até 1995, ele teve apenas 139 unidades construídas e marcou o retorno das operações, interrompidas em 1956. O mais curioso é que o EB110 foi projetado para celebrar os 110 anos do nascimento do fundador da marca, Ettore Bugatti.

Agora, a marca resolveu homenagear o EB110 com o Centodieci, que numa tradução para o português significa “Cento e Dez”. O modelo recorre à base do Chiron, assim como o motor W16 8.0 e quatro turbos de 1.600 cv. Essa usina permite ao bólido acelerar de 0 a 300 km/h em 13,1 segundos. Isso mesmo! Pois citar os 2,4 s no 0 a 100 km/h seria humilhante demais!

O Centodieci é o terceiro modelo construído a partir do Chiron. Em 2018 a marca apresentou o Divo, que surgia com tiragem de 40 exemplares ao preço de cinco milhões de euros (R$ 22,4 milhões). Mais lento que o Chiron, o carro teve a aerodinâmica trabalhada para ser mais ágil nas curvas.

Logo em seguida, no início desse ano, a marca apresentou o La Voiture Noire, com apenas um exemplar, vendido por 11 milhões de euros (R$ 49,3 milhões) para um comprador anônimo. Pela internet, surgiram rumores de que Cristiano Ronaldo teria comprado o carro. Posteriormente, surgiram evidências de que o proprietário do “Carro Preto” (numa tradução literal do francês) seria Ferdinand Piëch, ex-presidente do Grupo VW e neto de Ferdinand Porsche.

Já o Centodieci terá tiragem limitada a 10 unidades, todas já vendidas por nababescos US$ 8 milhões (R$ 32,3 milhões). E mais uma vez, é óbvio que os nomes dos clientes não foram revelados.

O EB110
O modelo chegou ao mercado em 1991. Era a aposta do controverso empresário italiano Romano Artioli para reeguer a pomposa fabricante franco-italiana do esquecimento. Quatro designers elaboraram projetos. O desenho de Marcello Gandini foi o escolhido por Paolo Stanzani. A dupla já trabalhara junta há muito tempo, mais precisamente desde 1968, quando projetou o Lamborghini Miura. O próprio Ferruccio Lamborghini era um dos parceiros da empreitada, mas achou o negócio arriscado e se retirou.

O projeto do EB110 era ousado. Naquela época a Ferrari ditava tendência com o F40 e o V8 biturbo 3.0 de 480 cv, mas que era um carro propositalmente espartano para obter o máximo de performance possível. A Porsche tinha o exótico 959, que era um Frankenstein do 911, com 450 cv arrancados do tradicional boxer seis cilindros 2.9 litros. Já a Lamborghini estava no topo do mundo com o fascinante Diablo e seu V12 5.7 de 492 cv. Com 3,5 litros e 12 cilindros em V, os engenheiros aplicaram quatro turbinas, duas para cada bancada, que entregavam superlativos 560 cv, conectados a uma caixa manual de seis marchas. 

O carro chegou em 1991 e conseguiu fazer sombra aos rivais. No ano seguinte, foi lançada a versão Super Sport, que reduziu o peso de 1.620 quilos para 1.418 quilos, além de elevar a potência para 600 cv. Era capaz de atingir máxima de 348 km/h e acelerar de 0 a 100 em 3,2 segundos. Números de chamaram a atenção de compradores ilustres como o heptacampeão de Fórmula 1 Michael Schumacher, que comprou um exemplar em 1994, ano em que se tornou campeão.