Dirigentes de diversas entidades de comerciantes e prestadores de serviço da capital voltam a se reunir com representantes da PBH na próxima semana com o objetivo de discutir propostas, muitas delas já entregues ao Executivo, para flexibilizar as regras de funcionamento das atividades não essenciais da cidade, iniciado na última segunda-feira. 

As chances de sucesso, contudo, são pequenas, já que os números da Covid-19 não paravam, até ontem, de subir em todo o Estado. A alternativa, portanto, parece ser a de buscar outras formas de reduzir prejuízos com a suspensão das vendas físicas – que pode se estender por até mais duas semanas, segundo epidemiologistas –, pleiteando isenções ou abatimentos nos custos operacionais.

Ontem, por exemplo, a Câmara de Dirigentes Lojistas de BH (CDL/BH) solicitou ao Sebrae Nacional apoio na interlocução junto ao governo federal para que seja autorizada a prorrogação, por seis meses, das parcelas do Simples Nacional com vencimentos previstos para janeiro, fevereiro e março de 2021.

“Ainda que o faturamento do mês de dezembro tenha sido um pouco maior (para mais de 62% dos lojistas da capital, segundo pesquisa da CDL, as vendas de Natal igualaram ou superaram as expectativas), o que até possibilitaria o pagamento integral do Simples com vencimento em janeiro, os comerciantes estão comprometidos financeiramente com negociações feitas com fornecedores e com empréstimos contraídos devido à pandemia”, explicou o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva.

“Além disso, há o reajuste anual dos aluguéis e outras obrigações financeiras que se apresentam nesse início de ano atípico, em que muitos deles estão com receitas praticamente zeradas”, acrescentou ele. 

De acordo com Silva, a prorrogação do imposto seria essencial para a sobrevivência de inúmeros empreendimentos, geradores de emprego e renda, especialmente em BH. “A demanda surge da frágil situação enfrentada por empreendedores e empresários que estão tendo que lidar não somente com as perdas acumuladas em 2020, mas também com a baixa do faturamento ocorrida nos primeiros meses do ano. Além disso, a capital mineira sofre com mais um fechamento do comércio”, finaliza o presidente da CDL/BH.

Lojistas de shoppings se queixam da volta dos valores cheios praticados por administradores

Embora todos os comerciantes e prestadores de serviço englobados na categoria de “não essenciais” estejam vivendo um péssimo início de 2021, agravado pelo novo fechamento das lojas em BH, quem atua nos shopping centers da cidade eleva ainda mais o tom das queixas. O motivo é que boa parte das administradoras de malls, após terem aplicado uma série de descontos em 2020, voltou neste mês a cobrar valores cheios de aluguel (inclusive o 13º de dezembro) e condomínio, o que impacta, sobretudo, os pequenos e médios lojistas, que padecem de falta de capital de giro.

“Um dos problemas maiores para nós, hoje, é o valor do aluguel. Os empreendimentos estão corrigindo com o IGP-M, índice que regula os contratos, mas que foi de quase 24% em 2020”, afirma o empresário Antônio Costa, dono da loja de calçados Usaflex, com unidades em shoppings da cidade. Costa relata que, em dezembro, por exemplo, teve faturamento de 20% a 30% menor que o esperado na loja do Diamond Mall, região Centro-Sul, onde, ao menos a princípio, o aluguel deve subir conforme o percentual mencionado. “Deram descontos nos meses parados, mas, agora, acho que deveriam usar o IPCA ou o INPC para fazer reajustes”. 

Procurada, a Associação Brasileira dos Shopping Centers (Abrasce) informou por nota que, desde o início da pandemia, esteve e continua aberta ao diálogo, “buscando entender a realidade dos lojistas, respeitando a particularidade de cada contrato, prezando pelo bom senso de ambas as partes”.