Enquanto uma reunião era realizada no plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte na manhã desta segunda-feira (13) para tratar da reabertura do comércio na capital, um encontro paralelo com entidades representativas e secretarias municipais era feito em um outro espaço da casa legislativa. Conduzida pelo líder do governo na Câmara, Leo Burguês (PSL), a reunião alternativa levantou sugestões de entidades que serão levadas à administração municipal, com o objetivo de reduzir os impactos econômicos provocados pela pandemia de Covid-19.

De acordo com Leo Burguês, a decisão de levar a discussão para outro ambiente aconteceu depois que a liderança da reunião ficou com o parlamentar Jair di Gregório (PSD), que defendeu a reabertura de parte do comércio, mesmo depois de ter sido um dos sete parlamentares municipais com Covid-19. “Eu fiz o requerimento e está no regimento da casa que quem faz isso é quem preside a reunião. Então, fizemos uma reunião paralela, com a participação presencial de alguns e outros pela web”, disse o vereador.

Além de nove entidades, como Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas BH)  e Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), representantes de algumas secretarias municipais (como Política Urbana, Cultura e Belotur) também participaram da reunião paralela.

Burguês informou que uma nova reunião deve ser realizada na quarta-feira (15) para que as entidades possam apresentar suas propostas e discuti-las com o poder público. Segundo ele, a reunião acontecerá em um espaço não relacionado à Câmara e terá participações presenciais e on-line.

Segundo ele, a intenção é debater diferentes propostas e possibilidades, evitando aumentar o número de casos de pessoas com Covid-19 e diminuir os prejuízos aos cofres da prefeitura, que poderá ter uma redução de R$ 1 bilhão na receita por causa da pandemia. “A prefeitura tem seus compromissos, muitos salários para pagar. Não dá para cortar todos os impostos”, diz.

Algumas propostas, segundo o vereador, não trazem custos para nenhum setor. “O Setra-BH sugeriu que as lojas do comércio abram e fechem em horários diferentes, para que não haja horários de pico no transporte público. A Abrasel sugeriu que, após a quarentena, os bares e restaurantes possam colocar suas mesas na calçada sem pagar taxa para a prefeitura”.

Desde o dia 20 de março, um decreto municipal regulamenta o isolamento social. Na semana passada, o prefeito Alexandre Kalil endureceu as medidas e permitiu a abertura apenas para estabelecimentos essenciais e para restaurantes e lanchonetes que trabalhem com entrega em domicílio. 

A reportagem entrou em contato com o vereador Jair di Gregório, pedindo um posicionamento sobre a reunião paralela, mas ele ainda não deu retorno.